Geração do Silêncio
A Geração do Silêncio (1970) vai buscar as suas raízes à anterior Geração da Cultura (1957-1961), dela extraindo as fortes linhas de combate, de denúncia, de revolta e indignação.
Esta geração nasce de uma terra que sofria ainda as marcas da luta armada iniciada em Angola em 1961 - e, como tal, vê muitos dos nomes dos seus colaboradores longe da sua terra por motivos de exílio político.
Enquanto a geração anterior a esta (Geração da Cultura) ficou marcada pela luta - por palavras e por armas - já a Geração do Silêncio é marcada pelas consequências dessa mesma luta: alguns dos poetas e prosadores são presos, fazendo com que as palavras de denúncia tenham que ser extremamente dissimuladas pelos que ainda lá estão. Assim, esta nova geração aparece com duas linhas de pensadores bem diferentes:
- os que estão fora da realidade sobre a qual escrevem: estão presos em diferentes cadeias e, como tal, sentem-se deslocados física, psicológica e ideologicamente da realidade, dos acontecimentos, da vida em Angola;
- os que estão na "frente de combate", em Angola, nas cidades ou no mato, e que retomam os temas da luta, do panfletarismo, da poesia como arma de combate, mas que se veem forçados a metaforizá-la, a vincar o valor simbólico para que a mensagem consiga passar.
Utilizam-se imagens extremamente fortes e de enorme significado para simbolizar as principais carências, problemas e sentimentos do homem angolano.
A denúncia de um fogo de combate que queima o angolano até à alma é imediatamente contrabalançada pela imagem de uma chuva rejuvenescedora, portadora de um ar fresco, de uma esperança, clara e nova, na independência.
É de salientar que esta foi a geração que participou (e mais sentiu os efeitos) do início da verdadeira e mais intensa luta armada em Angola.
Nasceu com e da época em que o desejo de independência era mais forte que nunca e onde se partia para a luta de alma e corpo aberto, abrangendo todas as frentes.
Falava-se na necessidade da guerra para a autoafirmação, na invasão constante que o elemento estrangeiro fazia à sua terra, na miserável condição do homem contratado, na terrível desvirtuação sofrida nas cidades pela imposição de uma outra cultura e maneira de ser. Falava-se também, como fuga a toda esta alienação, da terra, dos espaços telúricos, do chão fértil, da vida no campo, da solidariedade antiga, da tradição da humanidade entre os homens, da força imbatível da natureza, do sentido de comunidade há muito esquecida.
Relembrando e reavivando estas antigas e típicas raízes de vivência angolana e combatendo as realidades atuais, o homem africano haveria de encontrar a força e o motivo necessários para levar Angola até à independência.
Esta era, sem sombra de dúvidas, a principal tarefa que a Geração do Silêncio tinha que cumprir.
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