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gradação

Figura de estilo que consiste numa seriação ou enumeração de palavras, sintagmas ou ideias, cujo sentido é cada vez mais forte ou visa uma orientação positiva, num movimento global de intensificação com vista a um clímax. A este tipo de gradação que evolui em crescendo, chama-se gradação ascendente ou clímax. Por outro lado, a gradação pode evoluir em sentido descendente, através de uma seriação de elementos cada vez menos intensos, sendo, neste caso, designada por gradação descendente ou anticlímax.
Segue-se um exemplo de gradação crescente extraído de Os Maias, em que Alencar descreve o "cérebro" de Craveiro, de modo irado, numa sucessão de metáforas escatológicas que culminam na potencialidade de disseminação da peste pela cidade:

"- Esborrachava-lho sim, esborrachava, João da Ega! Esborracha-va-lho assim, olha, assim mesmo! (...) - Mas não quero, rapazes! Dentro daquele crânio só há excremento, vómito, pus, matéria verde, e se lho esborrachasse, porque lho esborrachava, rapazes, todo o miolo podre lhe saía, empestava a cidade, tínhamos a cólera! Irra! Tínhamos a peste!"
(Eça de Queirós, Os Maias, (1988), Lisboa: Ed. Livros do Brasil, cap. VI, p. 174 )

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