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Habsburgos

Esta casa dinástica alemã, que recebe a designação de um castelo perto de Windisch, na Suíça, traça o seu destino grandioso a partir de Rodolfo, eleito imperador do Sacro Império Romano-Germânico em 1273. Pela conquista da Áustria e da Estíria ao rei da Boémia, Rodolfo fortalece o património familiar, ao qual vincula hereditariamente os novos territórios. Dá-se início, por outro lado, a uma longa ligação da casa com a Áustria. Com Alberto, os domínios dos Habsburgos aumentam com a herança da Boémia e da Hungria, por casamento com uma filha do imperador Sigismundo, alcançando posteriormente a dignidade imperial. A partir de 1437 - até 1740 - os Habsburgos dominarão ininterruptamente o Sacro Império, com o poder da família a garantir a eleição do seu titular. Pelo casamento de Maximiliano I, filho do imperador Frederico III (1452-1493), com Maria da Borgonha, filha de Carlos, o Temerário, e, mais tarde, com o de um descendente daquela união, Filipe, com Joana, a Louca, herdeira dos Reis Católicos espanhóis, aumentam consideravelmente as possessões territoriais dos Habsburgos ou Casa de Áustria. Com esta política matrimonial, para além da Borgonha, Países Baixos, Nápoles, Sardenha e Sicília, ganham a Espanha e suas imensas e ricas dependências ultramarinas. Estes territórios juntam-se assim aos do Sacro Império, que compreendia a Alemanha, a Prússia e os domínios da Áustria. Surge então, como senhor absoluto deste vasto império, Carlos, I de Espanha e V da Alemanha, monarca universal por excelência, campeão do Catolicismo contra a Reforma (que nasce e se difunde largamente nos seus domínios alemães) e símbolo do apogeu dos Habsburgos, a mais poderosa família europeia. O seu irmão Fernando obtém, entretanto, a posse definitiva (até 1918) da Boémia e da Hungria para a Casa da Áustria, em 1526. Carlos, perante um imenso património familiar para governar na Europa, lega a Fernando a administração dos territórios alemães e austríacos da família, desenhando-se assim a formação de dois ramos, um espanhol e outro germânico, divisão que se confirma com a abdicação em 1556 de Carlos V. Assim, o filho primogénito de Carlos V, Filipe II de Espanha (1556-1598), herdará a coroa espanhola e suas dependências (América, Países Baixos, domínios italianos), e seu irmão Fernando receberá o Sacro Império (Alemanha, Alsácia, Suíça, Boémia e Hungria), sendo confirmado pelos príncipes eleitores em 1558. O ramo espanhol extingue-se em 1700 com Carlos II, passando o trono para os Bourbón, depois da Guerra da Sucessão de Espanha. Este país perde para o ramo alemão dos Habsburgos os Países Baixos (Flandres, Brabante) e os domínios italianos. Por seu turno, a descendência masculina dos Habsburgos da Áustria extingue-se em 1740 com Carlos VI (1711-1740). A filha mais velha deste, Maria Teresa (1740-1780), depois da Guerra de Sucessão da Áustria, ficará com os domínios hereditários do ramo alemão, sendo seu marido, Francisco, duque da Lorena (atual França), eleito imperador germânico em 1745. Com este casamento a família passa a dominar a Toscânia (Itália). A família passa a designar-se de Habsburgo-Lorena, mantendo a coroa do Sacro Império até à sua dissolução em 1806. Porém, desde o século XVIII, a família começava a perder territórios, mesmo no ramo espanhol, principalmente na Europa, como a Silésia (na Polónia) para a jovem monarquia prussiana e a Itália. As invasões napoleónicas imporão os mais sérios reveses sentidos pelos Habsburgos nos seus domínios alemães. Em 1804, o imperador Francisco II aclama-se imperador da Áustria, renunciando a 6 de agosto de 1806 ao Sacro Império, que aí finda quase mil anos de História. Todavia, os Habsburgos continuarão a reinar no Império da Áustria. A perda de territórios mantém-se no século XIX, culminada com a cedência a Itália, em 1859, do Lombardo-Véneto (região entre Milão e Veneza). Reinava então Francisco José, imperador que fundará em 1867 a monarquia austro-húngara. Assistirá, por outro lado, ao assassinato de seu sucessor, Francisco Fernando, em 1914, facto que apressará o deflagrar da Primeira Guerra Mundial, a derrota da Áustria e o desmembramento do último império habsburgo. O seu último monarca, Carlos I, abdica em novembro de 1918, encerrando a dinastia alemã que durante séculos dominou os destinos da Europa, acumulando riquezas e um património territorial imenso, cujo auge fora atingido por Carlos V, senhor do maior império da História.

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