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Henrique Medina

Pintor português, Henrique Medina de Barros nasceu a 18 de agosto de 1901, na freguesia de Cedofeita, no Porto.
Filho de mãe portuguesa e de pai espanhol, revelou, desde cedo, uma forte propensão para a pintura, ao retratar com expressividade a avó materna, num quadro intitulado Minha Avó (1911). Iniciou a sua formação artística, em 1911, na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, sendo aluno de Marques de Oliveira e de Acácio Lino. Aí realizou o Curso Preparatório de Desenho (1912-1914), o Curso de Desenho, Anatomia e Perspetiva (1915), o Curso de Desenho e Perspetiva (1916) e o 1.º ano do Curso de Pintura e Perspetiva (1917). Em 1919, expôs, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa, o retrato de Teodora Andressen de Abreu, com o qual ganhou a segunda medalha do concurso dessa sociedade.
Em 1919, prosseguiu os estudos académicos, na École de Beaux-Arts de Paris, com os mestres Ferdinand Cormon e E. Bénard. Nessa altura, participou no Salon de la Société National Beaux-Arts, recebeu a Menção Honrosa no Salon des Artistes Français. A partir de então, estendeu a sua fama a outros países, sendo convidado a expor "on the line" na Real Academia de Londres, em 1927, e depois em Itália, em 1930, retratando Mussolini para o palácio Viminal. Por fim, conquistou o Brasil e os Estados Unidos da América (EUA), sobretudo Hollywood, onde retratou grandes artistas, como Galli Curci, Charlie Chaplin, Mary Pickford, Lilly Pons, Norma Shearer, Greer Garson e Linda Darnel, que serviu de modelo para o quadro Nossa Senhora de Fátima, que se encontra na Igreja de Santo António, em East Falmouth, em Massachusetts (EUA).
Entre 1930 e 1950, Medina era considerado o melhor retratista português e um dos melhores do mundo, sendo portanto escolhido para pintar figuras importantes a nível nacional e internacional. Para além de altas patentes militares, como o General Alberto Andrade e Silva, de médicos de renome, tal como o Biólogo Jauregui (1936) e o Prof. Egas Moniz (1950), de académicos reconhecidos, de escritores e poetas, pintou também reis e príncipes, entre eles o Príncipe Torlonia e o Príncipe D. Orsini, chefes de estado como Dr. António Oliveira Salazar e o General Craveiro Lopes e ainda cardeais, como Cardeal Cerejeira e D. António Ferreira Gomes (1981) e o Papa João Paulo II.
Em 1960, estabeleceu-se em Góios, Esposende, na casa herdada de sua avó. Aí dedicou-se a retratar a beleza da ruralidade daquelas paisagens. A sua pintura, sobretudo a óleo, ficou então marcada pelas paisagens e figuras rurais da região de Esposende, tais como as sargaceiras da Apúlia, em A Sargaceira (1968), Esperando o Sargaço (1972), os pescadores, em Pescador (1957), os pastores de Belinho, como Pequeno Pastor (1968), os feirantes de Barcelos e ainda as minhotas, de que é exemplo a Noiva de Viana (1959) e Minhota com Traje Gallego (1975).
De referir igualmente o tema do nu, característico da sua pintura. Apaixonado pelo pormenor anatómico e pela beleza fisiológica do corpo, Henrique Medina retrata o nu com sobriedade, elegância e com uma perfeita harmonia da forma e da cor, num ambiente de riqueza envolto em adereços marcantes, como vasos, espelhos, aquários, mantos, animais, entre outros.
Este pintor modernista foi membro da Academia de Belas-Artes de Lisboa, membro da Real Academia de San Fernando de Espanha, Membro da Academia de Belas-Artes do Rio de Janeiro e sócio honorário da Associação Comercial do Porto. Recebeu várias condecorações, como Cavaleiro da Ordem de Cristo (1938), Medalha de Honra da Cidade do Porto (1939), Cavaleiro da Legião de Ordem Francesa (1955), Grande Oficialato da Ordem de Santiago e Espada (1969), Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (1984), entre outras.
Henrique Medina, que realizou inúmeras exposições, está representado em coleções particulares e em coleções nacionais e internacionais das quais se destacam a do Atelier-Museu Henrique Medina em Góios (Esposende), a do Museu Nacional Soares dos Reis (Porto), a da Sala-Museu Medina no Palácio da Bolsa (Porto), a do Museu Grão Vasco (Viseu), a do Museu Medina (Braga), a da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, a do Museu do Chiado (Lisboa), a do Palácio de S. Bento (Lisboa) e, a nível internacional, a do museu Jeu de Paume (Paris), a da Escola de Guerra Imperial Staff (Londres), a da Virginia University (Virgínia), a da Metropolitan Opera House (Nova Iorque), a do Metro Goldwyn Mayer (Califórnia), a do Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, a da Sala-Museu Medina no Ginásio Club do Rio de Janeiro e a da Embaixada de Portugal em Moscovo e em Londres, entre outras.
Henrique Medina faleceu a 30 de novembro de 1988, em Góios (Esposende), vítima de doença súbita.
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