Artigos de apoio

Herança Muçulmana

Do período em que os árabes estiveram na península retemos a assimilação islamo-judeu-cristão que no al-Andaluz faz nascer uma especulação intelectual, em todos os domínios, e um florescimento artístico que não tem equivalente na Europa de então. Destas três componentes podemos tomar como símbolo o muçulmano Averróis (Muhammad ibn Ruchd), o judeu Maimónides (Moshe ben Maimon), o italiano Gerardo de Cremona e o catalão Raimundo Lullo, que vinham beber às fontes da ciência árabe. A Espanha muçulmana teve um papel primordial na transmissão das obras de filosofia e de ciência greco-latina para a Europa em traduções melhoradas pelos progressos árabes e pelas bibliotecas (a do califa al-Hakam II em Córdova encerrava, em finais do século X, 400 000 volumes). A Europa, na época menos avançada em termos de produção cultural (exceto alguns mosteiros), foi buscar em diversas disciplinas (Medicina, Filosofia, Matemáticas) elementos que lhe serviram para a sua própria Renascença.
Deste período retemos igualmente a força material e a eclosão em Espanha e no Magrebe de cidades nas quais a arquitetura, o urbanismo, a arte dos jardins, a vida da corte, as belas letras dão um brilho que ainda hoje podemos admirar em Córdova, mas também em Saragoça, Toledo, Valência, Sevilha e por fim Granada no lado de cá do estreito de Gibraltar; Fez, Rabat, Marrakech, Bougie, do outro.
O longo domínio muçulmano na Península teve também consequências inevitáveis em termos artísticos. O contacto entre a arte cristã peninsular (visigótica) e a arte do invasor deu origem a uma arte peculiar, que se denominou moçárabe. A esta sucede-lhe no tempo a mudéjar, contrastando com a anterior, já que é fruto da expansão da Reconquista, uma inversão da situação histórica, pois os mouros estão agora submetidos aos cristãos. A grande época da arte mudéjar situa-se no século XIV e XV, em Castela, quando as influências muçulmanas se fundem nos monumentos góticos. Em Portugal também podemos apreciar esta arte na torre gótica de Beja, no castelo do Alandroal e na Sé de Évora.
A atração e o prestígio desta civilização eram tais que milhares de autóctones (denominados moçárabes) a adotaram, conservando a sua língua, a cultura, os costumes e os trajes daquele povo.

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