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hipérbato

O hipérbato (do grego hypérbaton, significa "inversão", "transposição") é uma figura estilística de sintaxe que consiste na separação dos constituintes imediatos, geralmente obtida através da intercalação de outros sintagmas, que tem como consequência uma alteração drástica à ordem das palavras na frase. Tem como objetivo estético o de provocar o inusitado na construção frásica, embora, em poesia, seja muitas vezes condicionado por restrições de versificação. Seguem-se alguns exemplos.

Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A bênção como espada,
A espada como bênção!
(Fernando Pessoa, Mensagem, "Os castelos", D, Afonso Henriques)

Nesta estrofe os complementos diretos "a bênção como espada" e "a espada como bênção" foram separados do verbo que os seleciona (), através da intercalação de outros sintagmas.

[CD 1]As armas e os barões assinalados
Que, da Ocidental praia Lusitana,
(...)

[CD 2]E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
(...)
Cantando espalharei por toda a parte
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
(Camões, Os Lusíadas, I, 1 e 2)

Na primeira e segunda estrofes de Os Lusíadas encontramos também um hipérbato com inversão dos constituintes, na medida em que os sintagmas nominais com função de complemento direto (CD) dependentes do predicado "cantando" se antecipam ao verbo e são intercalados por outros sintagmas. Assim, a ordem direta seria "cantando espalharei por toda a parte as armas e os barões assinalados (...) e também as memórias gloriosas (...)".

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