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Hungria

Geografia
País da Europa Central. A Hungria faz fronteira com a Eslováquia a norte, a Ucrânia a nordeste, a Roménia a leste, a Jugoslávia e a Croácia a sul, a Eslovénia a sudoeste e a Áustria a oeste. Tem uma área de 93 030 km2. As principais cidades são Budapeste, a capital, com 1 729 800 habitantes (2004), Debrecen (205 400 hab.), Pécs (158 900 hab.) e Miskolc (181 400 hab.).
Distinguem-se quatro regiões na Hungria: a Grande Planície Húngara, situada no Sul e Leste, ocupando mais de metade do território; a Pequena Planície Húngara, situada no Noroeste; o sistema montanhoso conhecido por Transdanúbia, com altitudes compreendidas entre os 400 e os 700 metros, separando as duas planícies húngaras; e as Montanhas do Norte, de características vulcânicas.
Os recursos hidrográficos são vastos, sendo os maiores rios o Danúbio e o Tisza, que percorrem o país de norte a sul, destacando-se, também, a existência de um dos maiores lagos da Europa, o lago Balaton, com 598 km2.

Clima
O clima da Hungria é temperado continental e moderadamente seco.

Economia
A Hungria tem na bauxite, no carvão e no manganésio os principais recursos minerais, contando também com quantidades substanciais de chumbo, zinco e cobre. Nos últimos anos, têm sido descobertas na Hungria áreas consideráveis de petróleo, gás natural e urânio, alterando o panorama húngaro quanto a recursos energéticos, até então tido como pobre.
Os produtos industriais mais importantes são o cimento, o aço em bruto e o aço laminado, fertilizantes, têxteis e vestuário, artigos eletrónicos (televisão e rádio), locomotivas e autocarros.
Apesar de a importância da agricultura ter decrescido dentro do quadro económico húngaro, a verdade é que este país é autossuficiente no que se refere à produção de bens agrícolas, chegando mesmo a exportar vários desses produtos. Destes destacam-se o milho, o trigo, a beterraba, a cevada e a batata.
Quanto ao setor terciário, há a realçar a importância do turismo na obtenção de divisas estrangeiras. Os principais parceiros comerciais da Hungria são a Alemanha, a Áustria, a Itália e a Rússia.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 5,6.

População
Tem uma população de 9 981 334 habitantes (est. 2006), o que corresponde a uma densidade populacional de 107,57 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 9,72%o e 13,11%o. A esperança média de vida é de 72,66 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,837 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,834 (2001). Estima-se que, em 2025, a população diminua para 9 276 000 habitantes.
O povo húngaro, vulgarmente designado por magiar (nome também atribuído à língua húngara), é bastante homogéneo, sendo muito difícil distinguir qualquer subgrupo. Constitui 97% do total da população, correspondendo os restantes 3% a ciganos, alemães, eslovacos, sérvios, croatas e romenos. O catolicismo (63%) e o protestantismo (26%) são as religiões dominantes. A língua oficial é o húngaro.

Arte e Cultura
A Hungria - nomeadamente a sua capital, Budapeste - é famosa pela intensa atividade cultural, fruto do enorme investimento estatal nesta matéria que cria excelentes condições de trabalho para os vários artistas. Assim se compreende o elevado número de tantos artistas húngaros de renome internacional, como Béla Bartók, Zoltán Kodály ou Kálmán Mikszáth.

História
A Hungria tem as suas raízes históricas na ocupação das margens do rio Danúbio pelo povo magiar nos finais do século IX, terras essas que tinham sido ocupadas pelos Romanos (ano 14 a. C. - século IV d. C.), pelos Germanos (século V), pelos Avaros (séculos VI-VIII) e pelo império de Carlos Magno (século IX). Nos finais do século X, os magiares adotam o Cristianismo como religião, iniciando, ao mesmo tempo, a estruturação de um reino forte e independente; e, no século XII, a Hungria era o principal Estado da Europa centro-leste. Contudo, em 1241, dá-se o início do fim da Hungria como reino independente, através da grande invasão mongol, que dizimou metade da população húngara e deixou um rasto de completa destruição. Após esta invasão, a Hungria mergulhou num período de instabilidade interna, culminando no desaparecimento da dinastia régia Arpad, em 1301. A partir desta data, a Hungria passou a ser dominada pela casa real de Nápoles e, após as invasões dos Turcos otomanos iniciadas no século XIV, a Hungria foi dividida, em 1568, em três partes: uma faixa estreita a ocidente passou para o domínio dos Habsburgos da Áustria (que acabariam por dominar toda a Hungria nos finais do século XVII); a leste, a Transilvânia ganhou o estatuto de autonomia sob a soberania dos Turcos; e a parte central passou para o domínio direto dos Turcos.
Em 1848 ocorreu uma revolução liderada por intelectuais húngaros com o objetivo de obter a independência da Hungria, causada não só pelo descontentamento social provocado pela política despótica dos Austríacos, como também pelos constantes conflitos étnicos existentes entre os magiares e as outras etnias presentes no território, como os romenos, os eslovacos, os sérvios e os croatas. Na sequência desta revolução formou-se em 1867 o império austro-húngaro, sob o qual a Hungria gozou de maior independência interna, embora não a suficiente para alguns setores da sociedade representados no Parlamento, o que causou várias situações de instabilidade política. Este império dissolveu-se com o fim da Primeira Guerra Mundial - durante a qual manteve uma aliança com a Alemanha -, sendo o território húngaro dividido, sob o Tratado de Trianon (4 de junho de 1920), entre a Roménia, a Checoslováquia, a Jugoslávia, a Áustria, a Polónia e a Itália, ficando a Hungria com praticamente a área que possui nos nossos dias. Este desmembramento foi acompanhado por um período de grande instabilidade e rutura social, política e económica, cujas causas se encontram na ocupação da Hungria pelo exército romeno e na tentativa falhada dos bolcheviques húngaros em conquistarem o Poder. Toda esta conjuntura deixou feridas profundas na sociedade húngara, o que, junto com uma reconstrução nacional que se mostrou difícil e demorada, veio contribuir para um largo crescimento dos movimentos radicais de direita. Tal facto esteve na origem da aliança entre a Hungria e a Alemanha de Hitler, através da qual viam a oportunidade de recuperar as áreas perdidas com o Tratado de Trianon. Com o decorrer da guerra, a Hungria foi-se envolvendo cada vez mais no conflito, sobretudo na frente leste, onde se opunham as forças alemãs às soviéticas, contando para isso com o apoio da maioria dos húngaros, que guardavam na memória a má experiência bolchevique ocorrida em finais da década de 20. No entanto, a União Soviética revelou-se mais forte, fazendo retroceder gradualmente as forças germano-húngaras até as expulsarem da Hungria em 4 de abril de 1945. A partir de então, a presença das forças soviéticas abriu caminho à implantação de um regime comunista, numa primeira fase de uma forma discreta, tornando-se depois mais concreta e efetiva em 1949, com a declaração da República Popular da Hungria, processo este que nem a revolução de 1956 conseguiu impedir. Neste ano subiu ao Poder János Kádár que, embora comunista, conseguiu implementar ao nível da economia e da cultura políticas com algumas características liberais, tornando assim a Hungria no país pró-soviético mais tolerante.
Com o fim do comunismo na União Soviética e o seu consequente desmembramento em 1989, a Hungria aproveitou a oportunidade para se libertar daquela ideologia, iniciando um processo de democratização fundamentado na revisão da Constituição, na qual se estabeleceu a divisão dos poderes (legislativo, judicial e executivo), a implantação de um sistema político multipartidário e o consequente abandono do termo "popular" na designação do país. As eleições de 1990 levaram ao poder uma coligação de partidos formada pelo Fórum Democrata Húngaro, pelo Partido dos Proprietários Independentes e pelo Partido Democrata Cristão, e chefiada pelo líder do Fórum, József Antall. Deu-se então início à execução de reformas económicas com vista a aproximar a Hungria dos níveis de vida dos países da Europa Ocidental. Contudo, o Governo revelou-se impotente para levar a cabo tais reformas, o que resultou numa pesada derrota para os partidos da coligação (principalmente o Fórum) nas eleições gerais de 1994, que deram uma larga vitória ao Partido Socialista Húngaro (54% dos votos), formado por ex-membros do Partido Comunista. No entanto, para evitar qualquer desconfiança ou receio, quer por parte dos húngaros, quer por parte da comunidade internacional, o PSH estabeleceu um acordo com a Aliança dos Democratas Livres (18% dos votos) com vista à formação de um governo de coligação sob a liderança do socialista Gyula Horn. Este Governo tem tentado, desde então, tornar as reformas económicas mais efetivas, tendo dado ao mesmo tempo início a um processo de revisão constitucional para, num prazo de dois anos, ser aprovada uma nova Constituição.
A Hungria aderiu formalmente à União Europeia no dia 1 de maio de 2004 numa cerimónia realizada em Dublin.
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