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Igreja da Graça (Évora)

A congregação dos religiosos eremitas calçados de Santo Agostinho foi legalizada em Portugal no ano de 1520. Quatro anos mais tarde, em 1524, arrancavam as obras do Convento de N. Sra. da Graça da cidade de Évora, edifício que iria abrigar a comunidade de frades agostinhos. D. João III e o seu primo, o bispo D. Afonso de Portugal, foram dois dos seus mais destacados mecenas.
Apesar de não se conhecer com exatidão o arquiteto que concebeu esta obra, o certo é que Miguel de Arruda se encontra à frente do estaleiro nos finais da década de 30 de Quinhentos. Contudo uma reforma, depois de 1560, veio alterar a volumetria inicial deste cenóbio eborense.
Construído em granito local, os seus clássicos volumes arquitetónicos deixam perceber a aglutinação de puros elementos da Renascença e traços da gramática maneirista.
A frontaria conventual estende-se pela portaria, refeitório e, superiormente, contém o dormitório grande. No entanto, são as linhas do templo agostiniano que dominam a elegante fachada quinhentista, obra que terá sido concretizada entre 1531 e 1537. Nela desenha-se um pórtico, provavelmente mais tardio, dominado pela erudita linguagem arquitetónica da tratadística italiana (Palladio e Serlio).
Esta galilé é formada por arcada repousando sobre colunata dórica, delimitado por cunhais reentrantes e marcados por pilastras. Superiormente, desenvolve-se decoração parietal formada de grandes florões com janelão axial retangular e concheado, ladeado por duas colunas que sustentam pequeno frontão triangular, encimado por anjos e cruz sobre pedestal. A cimalha é sobreposta por empena triangular vazada e recortada, marcada por angulares e desenvolvidos acrotérios esféricos, amparados por poderosas, bem modeladas e despidas estátuas de atlantes.
Lateralmente, eleva-se um campanário rasgado por três ventanas, obra granítica posterior (c. de 1590) e realizada por Mateus Neto. A fachada conventual contígua sofreu obras de remodelação em 1686, ritmando-a uma sucessão de contrafortes rematados por urnas, rasgando-se nos dois pisos - inferiormente portas e, superiormente, pequenas janelas quadradas.
Devido ao desabamento da cobertura, o templo da Graça foi abandonado e profanado, estando esta igreja sem parte considerável do seu espólio artístico. As paredes da nave interior conservam ainda pequenos vestígios do antigo revestimento cerâmico datado de 1748.
Próximo do altar-mor podem observar-se o belíssimo friso com rosetas e a janela de mármore, obra renascentista de 1537 e realizada pelo escultor francês Nicolau Chanterene. O arco triunfal que antecede a capela-mor é uma obra de 1621, ostentando o escudo de armas dos Condes do Vimioso.
Das diversas dependências conventuais, o destaque vai para o refeitório e o claustro. O refeitório, de linhas renascentistas, é coberto por abóbada artesoada repousando sobre mísulas.
As paredes que formam a escadaria de acesso aos dormitórios são forradas por dois tipos de painéis de azulejos barrocos, os mais antigos datados de 1681 e os outros setecentistas, da época de D. João V.
O elegante claustro quinhentista apresenta uma planta retangular e é formado por dois pisos. As galerias inferiores são ritmadas por arcos geminados sobre colunas dóricas com pedestais. O superior é marcado por colunata sustentando forte entablamento, composto por métopas, tríglifos, medalhões e gárgulas de feição humana.
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