Igreja do Mosteiro de Roriz
A antiga Igreja do Mosteiro de Roriz, em Santo Tirso, é um templo de transição entre o românico e o gótico inicial, provavelmente concluída no ano de 1228. É uma das poucas dependências conventuais que permanecem, juntamente com o seu derruído claustro. O cenóbio pertenceu aos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho de Santa Cruz de Coimbra.
Do antigo mosteiro doado por D. Afonso Henriques ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra permanecem somente a soberba igreja e o arruinado claustro conventual.
A igreja do Mosteiro de Roriz ostenta num dos seus portais a data de 1228, que poderá corresponder ao ano da sua conclusão. A sua volumetria original revela uma linguagem de transição entre o românico anterior e a arte gótica emergente. Alterada ao longo dos séculos, a D. G. E. M. N. procedeu em 1936 a obras de reintegração e restauro, devolvendo-lhe parte da sua dignidade e do seu perfil arquitetónico original.
A fachada imponente e austera possui um portal ducentista, composto por três arcos ligeiramente apontados, com o exterior profusamente decorado. Esta arcada reentrante repousa sobre colunelos capitelizados. Na parte superior rasga-se uma rosácea moldurada geometrizante, terminando a empena em estrutura triangular, encimada por interessante cruz pátea. Lateralmente, sob a cornija, corre um renque de modilhões figurados. A configuração do portal e da rosácea revelam influências de elementos construtivos idênticos que existem nas românicas igrejas nortenhas de Paço de Sousa e Pombeiro da Beira. No flanco esquerdo do templo ergue-se a torre sineira, de terminação triangular e rasgada por três ventanas.
Internamente, a igreja é constituída por uma só nave coberta por teto de madeira, assente em arcaria sobre colunas capitelizadas, iluminado por seis frestas laterais e pela grande rosácea axial, transmitindo uma atmosfera de tranquilidade e recolhimento. A cobertura do coro alto assenta em mísulas românicas decoradas.
Ao contrário da nave e do coro, a cabeceira apresenta-se coberta por uma abóbada em pedra que repousa sobre uma arcaria cega rasgando as paredes da ousia.
Do recheio de arte móvel deste templo, merecem uma atenção particular algumas imagens devocionais e peças litúrgicas. Assim, podemos mencionar a escultura, provavelmente do século XVI, em calcário que representa S. Lourenço ou ainda uma outra do barroco setecentista, alusiva a S. Pedro.
No campo das alfaias litúrgicas, o destaque vai para uma cruz processional gótica em latão e o cálice e patena, trabalho de ourivesaria em prata, datado da segunda metade de Quatrocentos.
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