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Igreja Matriz do Crato

A vila do Crato foi elevada a sede do Grão-Priorado da Ordem Militar do Hospital, mais tarde de Malta, em meados do século XIV. Cem anos mais tarde, os grão-priores portugueses começaram a ser chamados por Priores do Crato. Esta vila alentejana aparece sempre ligada a D. António, Prior do Crato, que foi rei por pouco tempo, após o desastre de Alcácer Quibir e da morte de D. Sebastião. A Igreja de N. Sra. da Conceição foi erguida graças à ação dos Hospitalários. Este templo sofreu várias remodelações ao longo do tempo. As intervenções de maior vulto realizaram-se no século XIV e nas duas centúrias seguintes. Nos fins do século XIX sofreu também alterações significativas que modificaram a sua traça primitiva.
A fachada da atual Matriz é profundamente marcada pelas grandes dimensões da torre sineira. Esta é de secção quadrangular, coroada por coruchéu piramidal e pináculos nos remates dos cunhais. De linhas sóbrias, a frontaria lembra uma construção militar, sendo quebrada por um friso elevado, onde se representam figuras hagiográficas e anjos saindo de taças, e pelas gárgulas representando figuras humanas e animais fantásticos. O portal é rematado por frontão e encimado por Cruz de Malta.
O interior do templo surpreende pela sua amplitude, dividido em três naves por quatro arcos em ogiva e um pleno, sustentados por pilares de granito. Belíssimos são os revestimentos cerâmicos setecentistas da nave e panos da capela-mor, constituídos por painéis de azulejos azuis e brancos, onde se representam cenas da vida da Virgem, temas profanos e outros apenas ornamentais com albarradas. Merecedora de atenção é a capela do Senhor da Morte, a colateral esquerda, pela riqueza da talha dourada barroca. Este retábulo ostenta uma bonita Pietà, possivelmente obra do século XV.
A capela-mor apresenta cobertura em abóbada de berço revestida, na primeira metade, por caixotões de cantaria com motivos ornamentais. O coro exibe belos exemplares de cadeirais com elevado espaldar. O retábulo é de talha dourada barroca dos finais do século XVII, de acordo com os cânones do Estilo Nacional, albergando ao centro uma imagem barroca de N. Sra. da Conceição. Igualmente interessante é o baixo-relevo do frontal de altar representando a Adoração do Cordeiro Místico, assim como um original sacrário inscrito no peito de uma águia de grandes dimensões, colocado sobre o altar. Do espólio deste templo faz parte uma gótica pia batismal em mármore e uma bonita escultura de Santo António, bem assim como uma lápide datada de 1287. Em dependência anexa à igreja guarda-se admirável coleção de arte sacra, de diferentes épocas.

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