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impacto da migração no tecido social

As migrações são uma característica intrínseca do ser humano, que leva a uma constante busca de melhores ou diferentes condições de vida em diversas áreas geográficas. Contudo, as consequências destas migrações são várias, podendo ser benéficas ou maléficas e causando sempre um impacto no ambiente em que vivem as comunidades de origem e de destino.
Os fluxos migratórios, devendo-se a um variadíssimo leque de razões (casamento, mudança de local de trabalho, férias, decisão de viver noutro país...), movimentaram ao longo da História um número infinito de pessoas. Estas movimentações causaram inevitavelmente impactos nos territórios e nas sociedades, afetando profundamente a economia e os equilíbrios inter-regionais.
A alteração do volume populacional e as mudanças radicais e bruscas impostas às estruturas sociais existentes causaram muitas vezes agudos conflitos entre as diferentes etnias, uma vez que as recém-chegadas e as minoritárias tendiam maioritariamente a ser segregadas pelas já existentes. Tal aconteceu com a população negra americana, à qual tradicionalmente se concediam muito menos direitos e muito inferiores aos dos brancos o que, durante os anos 50 e 60, causou uma tensão insuportável que levou à vivência de uma época de extrema insegurança pelas constantes manifestações de violência racista (como as do Ku-Klux-Klan), mortes e represálias, gerando um clima de insegurança pública. De igual forma, as comunidades étnicas minoritárias tendem a agrupar-se em zonas mais ou menos herméticas, no seio das quais (ou entre as quais) se originam bandos rivais que semeiam a desordem e a violência. Na América Latina, por exemplo, o êxodo rural para as cidades, como consequência da explosão demográfica, criou um sem fim de bairros de lata e favelas onde imperam os criminosos, a droga e as mortes devidas a confrontos e à falta das condições mínimas de vida. Por outro lado, a imigração ilegal leva ao furto de documentos, ao roubo e a uma série de outros crimes cometidos em desespero de causa.
As migrações nacionais, e sobretudo internacionais, foram durante os finais do século XIX e todo o XX um fenómeno de grande incidência, de tal forma que se chegaram a elaborar documentos restritivos à entrada de estrangeiros em países como a América do Norte ("Quota Act", 1921 e "National Origins Act", 1924).
Entre os anos de 1880 e 1930 houve uma vaga de migrações de Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, França, Inglaterra e Japão para a América, atraídos pelas terras "virgens", sendo que ao avançar o século foram tendencialmente as populações do chamado "Terceiro Mundo" que tentaram constantemente migrar para o Japão, os Estados Unidos e a Europa Ocidental. A partir dos anos 30 as migrações dirigiram-se preferentemente para a Austrália e para as colónias, tendo a descolonização e a Segunda Grande Guerra provocado ondas maiores de migração. A partir dos anos 60 iniciou-se a aplicação por parte de países como o Canadá e os Estados Unidos de filtros de imigração, baseados nas aptidões de iniciativa, de formação e de qualificação profissional.
A chegada nos anos 60 e 70 de migrações originárias de territórios em vias de desenvolvimento, como consequência da necessidade de mão de obra de países como a República Federal Alemã, o Reino Unido e os Estados Unidos, originou um excesso de imigrantes não legalizados de origem antilhana, mexicana, turca, jamaicana, jugoslava, africana e asiática que, sem emprego, ameaçavam a ordem e segurança públicas e criavam tensões racistas.
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