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Império Colonial Francês
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As primeiras iniciativas coloniais francesas surgem na América do Norte no século XVI. De facto, já em 1534 Jacques Cartier, em nome de Francisco I de França, explora o estuário do Rio S. Lourenço, no atual Canadá, dele tomando posse para o seu rei, tal como toda a região envolvente. Nascia a Nova França, embora a sua colonização só começasse, efetivamente, a partir de 1608 com Samuel de Champlain, que fundou o Quebeque. Nesse mesmo século, em 1682, La Salle, ao serviço de Luís XIV, explora o Mississípi, a cuja região chamará Luisiana, em homenagem ao seu rei, juntando-a ao Canadá.

Todavia, os interesses franceses já antes apontavam para outras direções: no governo do cardeal Richelieu (1624-42), tinham-se estabelecido nas Antilhas e na Guiana (América do Sul); na África, onde fundam St. Louis, povoação importante na foz do Rio Senegal; ocupam a ilha de Bourbón (atual Reunião), no Índico, tentando, sem êxito, tomar Madagáscar. Só com as políticas mercantilistas e expansionistas de Colbert é que a França empreenderá uma política verdadeiramente ultramarina, com objetivos político-económicos definidos e duradouros. Durante a administração daquele estadista, os franceses chegam à Índia, onde estabelecem entrepostos, fundando até uma Companhia Francesa das Índias Orientais, tal como holandeses e ingleses. Visavam, com tal projeto, um estabelecimento mais eficaz e profícuo para os seus interesses comerciais e estratégicos na Índia e Oriente. Em 1674 fundam feitorias na Índia, erigindo um pouco depois um posto fortificado em Pondichéry, o primeiro de uma série que ali fundarão, a par da posse de várias cidades e mercados no subcontinente indiano. No Índico, a Companhia ocupará também a ilha de Maurícia, em 1721.

Ao longo do século XVIII, as rivalidades e guerras acesas com a Inglaterra marcarão o destino das colónias francesas, que vão sendo uma a uma tomadas pelos ingleses, poucas restando no fim do império napoleónico (1815). Assim, em 1763 todo o Canadá francês era cedido aos ingleses, o mesmo se passando com a Luisiana, dividida entre aqueles e a Espanha. Na Índia, depois dos esforços de Dupleix para reforçar a Companhia, militar e comercialmente, os estabelecimentos franceses passam, no século XVIII, para a Coroa britânica, devolvidos, porém, em 1763 (apenas cinco entrepostos, entre os quais Pondichéry), mas isolados e sem papel militar, o que leva à sua total desvalorização em termos comerciais. Em 1814-15, a Maurícia passa para as mãos dos ingleses.

O século XIX, contrariamente, assiste ao ressurgimento do império colonial francês. Em 1815, só possuía St. Pierre et Miquelon (ilhotas junto à Terra Nova), Martinica, Guadalupe (Antilhas), Guiana, Senegal (só o litoral), Reunião e cinco cidades na Índia. Em 1830, inicia (até 1847) a ocupação da Argélia, avançando depois para sul, para o Sara (onde mais tarde atuará a célebre Legião Estrangeira) e para a Tunísia (protetorado em 1881) e Marrocos (protetorado em 1912). Graças ao governo colonial de Faidherbe (no Senegal), funda-se, a partir de 1856, uma série de entrepostos no Rio Senegal, na costa da Guiné e no Gabão, lançando-se os franceses, principalmente, depois de 1879, para a exploração do interior do continente africano. Todos estes territórios serão divididos em dois gigantescos setores administrativos das colónias de França: África Ocidental Francesa (AOF) e África Equatorial Francesa (AEF), unidas geograficamente no Lago Chade. A primeira englobava ainda a Argélia: o domínio francês em África estendia-se do Mediterrâneo até Brazzaville, e de Dakar, a oeste, até à fronteira com o Sudão. Junto ao Mar Vermelho, dominar-se-á a Costa Francesa dos Somalis (1884). Madagáscar passa a ser colónia francesa também em 1895.

A França, entretanto, estende, entre 1859 e 1898, o seu domínio à Indochina (Vietname, Laos, Camboja) e obtém por 99 anos (em 1898) o território chinês de Kuang-Tcheu-Wan. Na Oceânia, toma as ilhas de Sociedade (Polinésia Francesa), Nova Caledónia, Wallis, Futuna e outras menores espalhadas no Pacífico. Após a Primeira Guerra Mundial, os franceses ocupam militarmente, sob os auspícios da Sociedade das Nações, os Estados do Levante (Síria, Líbano) antes sob domínio otomano (turco). Nos mesmos moldes, ocupam o Togo e parte dos Camarões, antes alemães, na sequência do Tratado de Versalhes (1919). Todavia, nos anos 50 e 60 perde quase todos os territórios ultramarinos, desfazendo-se o império colonial. Alguns deles serão palco de guerras com os franceses na luta pela sua descolonização (Argélia, Vietname), criando feridas profundas na sociedade francesa do após-guerra.

Atualmente, para além dos territórios do Pacífico (intactos), a França mantém a Guiana (dita Francesa), Guadalupe, Martinica e suas dependências nas Antilhas, St. Pierre et Miquelon, Reunião e Mayotte (no Índico). Apenas a Nova Caledónia (Pacífico) reclama a independência, embora sem qualquer impacto.
 

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Império Colonial Francês na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$imperio-colonial-frances [visualizado em 2026-06-12 13:52:31].
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