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índice de preços no consumidor (IPC)

A variação do nível de preços dos bens e serviços de uma economia é um fenómeno que se verifica de forma sistemática à medida que o tempo vai passando, normalmente no sentido ascendente, traduzindo o fenómeno da inflação. As flutuações de preços provocam algumas dificuldades ao cálculo económico, na medida em que a variação de um período para outro numa determinada variável macroeconómica (o produto interno bruto de um país, por exemplo) pode ter como base apenas um aumento dos preços e não o aumento efetivo da produção. Neste contexto, torna-se necessário encontrar formas de isolar o efeito puramente nominal da variação dos preços de forma a poder avaliar a evolução real de uma determinada variável. Para esse efeito são utilizados índices, que consistem em valores que permitem medir a evolução de uma determinada grandeza num determinado período de tempo, considerando um período de base, que serve de referência.
Os índices de preços são um instrumento utilizado para estabelecer uma relação entre os preços verificados em momentos diferentes. Este instrumento pode ser utilizado em vários contextos, sendo as suas aplicações mais conhecidas o índice de preços no produtor (IPP) e o Índice de preços no consumidor (IPC). O IPP tem como objetivo fundamental a medição dos preços no momento da primeira venda de cada produto. O IPC, por sua vez, tem como objetivo medir as alterações no custo de vida dos consumidores, ou seja, o valor que estes têm de gastar ao longo do tempo para manter um determinado nível de vida.
Mais concretamente, o cálculo do IPC é feito através dos seguintes passos sequenciais fundamentais: consideração de um cabaz de bens e serviços alargado, no sentido de representar devidamente o padrão médio de consumo; cálculo das quantidades consumidas de cada bem ou serviço do cabaz por cada consumidor num determinado período (ano), daí resultando o peso relativo de cada um; escolha de um ano base que vai servir de referência para o cálculo do IPC; cálculo do custo do cabaz no ano base; cálculo do custo do mesmo cabaz de compras no ano que se está a considerar; estabelecimento da relação entre os preços de custo do cabaz do ano que se está a considerar e do ano base. Assim, se por exemplo o cabaz custava € 500,00 em 1980 (ano base) e 1000,00 em 2002, o IPC de 2002 face ao de 1980 é calculado através do rácio entre 1000,00 (como numerador) e 500,00 (como denominador) multiplicado por 100, sendo o resultado neste caso 200. A interpretação a dar ao IPC neste caso seria a seguinte: em 2002 pode comprar-se com € 200,00 o mesmo que em 1980 se comprava com € 100,00.
O IPC permite ainda o cálculo da taxa de inflação periódica (normalmente anual) através do cálculo direto da taxa de variação anual do IPC.
Apesar de muito útil, o IPC partilha os problemas normais dos índices de preços, designadamente os seguintes: manutenção dos pesos relativos constantes para os bens que compõem o cabaz, daí resultando que não toma em consideração o eventual abandono por parte dos consumidores dos bens que se tornem relativamente mais caros (podendo sobrestimar neste caso o custo de vida); e a não consideração da alteração do nível de qualidade dos bens, que, considerada, poderia ter resultado num aumento mais lento do IPC ao longo dos anos.
Em Portugal os índices de preços no consumidor são calculados e publicados pelo INE - Instituto Nacional de Estatística.


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