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interação social

Park e Burgess são considerados como os primeiros autores que aplicaram o conceito de interação às relações sociais. Entende-se por interação social o processo através do qual as pessoas se relacionam umas com as outras, num determinado contexto social. A interação apoia-se no princípio da reciprocidade da ação e é reconhecida como condição necessária para a organização espaciotemporal. Isto significa que os atos dos indivíduos não são independentes, mas condicionados pela perceção do comportamento do outro. Foi isto que, de certo modo, K. Lewin procurou ilustrar ao elaborar o conceito de "campo psicológico" (campo das interações entre o organismo e o ambiente). Para este autor, a interação é a base para a compreensão dos processos psicológicos, condicionados pela relação do indivíduo concreto com a situação. E. Marc e D. Picard referem que, "já que a interação é o campo onde as relações sociais se atualizam e se reproduzem, ela constitui também um espaço de jogo onde se podem introduzir a invenção e a troca e onde, a cada instante, se funda uma nova [relação] social ".
Não se reduzindo apenas a um processo de comunicação interpessoal, a interação é também um fenómeno social, situado num determinado contexto espácio-temporal de natureza cultural e marcado por códigos e rituais sociais (Marc e Picard. Este conceito foi desenvolvido a partir dos modelos de Schütz e Mead. Apesar das divergências entre eles, a ideia-base assenta no princípio de que, como aponta Turner, a interação é possível porque os indivíduos presumem que têm em comum um determinado conjunto de conhecimentos que usam para se orientarem a si próprios, no tempo e no espaço, determinando o significado dos gestos, categorizando os objetos e as pessoas e, desse modo, definindo a forma mais apropriada para, eles próprios, emitirem sinais. Segundo este autor, a interação é, pois, uma maneira de testar continuamente a conceção que cada um tem do papel do outro.
Cicourel e Garfinkel concebem a interação social como uma construção condicionada: para o primeiro, a interação é determinada pelas estruturas da mente, muitas vezes inacessíveis à introspeção, embora presentes em todas as situações de interação; para o segundo, as regras não são as que residem nas estruturas cognitivas, mas aquelas que são públicas, acessíveis a todos os participantes e observadores da interação (Hardin, Power e Sugrue). Entre os anos 50 e inícios dos anos 80 do século XX, E. Goffman procurou compreender o modo como a estrutura da interação (face-to-face) se encontra ligada às tarefas interativas da vida quotidiana, desenvolvendo uma série de conceitos que, ainda hoje, são contributos importantes ao nível do estudo da interação social.

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