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Invasão Japonesa da China

Na sequência da vitória do Japão nas guerras sino-japonesas (1894-1895), a dinastia manchu reinante na China cai em descrédito e inicia-se o desmembramento do país, cada vez mais nas mãos dos ocidentais (ingleses, franceses, alemães, americanos, russos), que saem reforçados da sua "vitória" sobre a revolta dos Boxers em 1900 e sobre o nacionalismo isolacionista da imperatriz T´zu Hsu Chi (Cixi).A partir de 1905, a Manchúria, vasta região do Nordeste da China, fértil e rica em minerais estratégicos (carvão, ferro, petróleo) e com manchas florestais significativas, é dividida entre a influência russa e nipónica, embora com preponderância crescente para o Império do Sol Nascente. Aliás, o Japão, depois da sua vitória na guerra que manteve com a Rússia em 1905, definiu claramente o seu avanço na Manchúria para a posse plena da região. A URSS a ela renunciará em 1924.Todavia, antes ainda desta data, os japoneses empreendiam avanços noutras direções na China, aproveitando a situação politicamente confusa do país. Depois da proclamação da república chinesa em Nanquim em 1911, por Sun Yat Sen, e da abdicação do último imperador, em 1912, a China mergulha numa situação de rutura nacional devido às querelas e divisões políticas. Até à sua morte, em 1916, Yuan Che Kai, antigo conselheiro da falecida imperatriz T´zu Hsu Chi, conseguiu fazer com que a China conhecesse alguma ordem política. Porém, esta não lhe sobrevive, minada que foi pela anarquia e lutas entre os nacionalistas do Kuomintang, de Sun Yat Sen e Chiang Kai-shek, e outras formações políticas, de que se destacam os comunistas, muito ativos depois dos anos trinta.Perante esta situação política instável, os japoneses, entretanto duramente atingidos pela recessão económica mundial da Grande Depressão de finais dos anos 20, e acreditando no seu papel de liderança da Ásia Oriental, anexam a Manchúria (onde criam o "Estado-fantoche" de Manchukwo) em 1932-33 e penetram nas Mongólia e Norte da China. Acreditavam, pois, que os rendimentos da exploração económica destas regiões compensassem as perdas nos anos de 1929 e 1930. Entretanto, tinham já tomado posse da Formosa.Chiang Kai-shek, todavia, apoiado pelos EUA e outras potências internacionais com interesses na China, não concorda com a progressão japonesa no Norte do país. Em 1935, chega mesmo apoio militar russo à China. Em julho de 1937, os japoneses, por seu lado, estão já às portas de Pequim, com a China impotente para os travar e pressentindo-se uma guerra inevitável. Nesse mesmo ano, a capital da China, Nanquim, é devastada pelos japoneses e Chiang Kai-shek foge para o interior. Ainda em dezembro desse ano, poucos dias depois da fuga de Chiang, Xangai cai para os nipónicos. Em 1938, a China Oriental e Central era já território ocupado pelo Japão, que proclama então a Nova Ordem, em que exigia o abandono do Extremo Oriente por parte das potências estrangeiras.Entretanto, EUA e Grã-Bretanha tentam contrariar a investida japonesa enviando reforços pela sinuosa estrada da Birmânia. Não obstante, os japoneses não param e, ainda nesse ano é tomada Cantão. Também rebentam conflitos na fronteira da Rússia com Manchukwo. Em fevereiro de 1939, a ilha de Hainán, ao sul da China, é tomada, abrindo-se caminho para a Indochina; ainda em julho deste ano, as concessões francesas e britânicas de Tien-Tsin são bloqueadas pelos japoneses. Dois anos depois, as colónias portuguesa e inglesa de Macau e Hong Kong, respetivamente, são ocupadas por Tóquio.Nada podia parar o avanço nipónico para o petróleo, borracha e minérios da Malásia, Filipinas, Birmânia e Tailândia e, depois, da Sibéria e da Ásia Central.

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