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Invasões Germânicas

A desagregação de Roma alastrou-se a todas as províncias, onde veio a abalar o poder político e a paz. Na Península, parece desaparecer a estrutura provincial. A crise da política imperial conduziu à divisão do império (395). O Imperador Arcádio tomou o poder no Império Oriental, enquanto Honório chefiava o Império Ocidental. Ambos entregavam a liderança dos seus Exércitos a guerreiros bárbaros (no Oriente ao visigodo Alarico e no Ocidente ao vândalo Estilicão).
Cedo os Bárbaros guerrearam entre si, e o general comandante das legiões romanas nas Ilhas Britânicas proclamou-se imperador, com o nome de Constantino.
Neste período de grande instabilidade e confusão, iniciou-se a invasão de grupos germânicos que, com o aparecimento dos Hunos, tinham sido deslocados dos seus territórios. Esta grande invasão consistiu numa movimentação continuada e demorada que, historicamente, se diz ter-se iniciado a 31 de dezembro de 406.
Nesta fase, os povos que entraram no império eram oriundos de diferentes paragens (Vândalos, Suevos, Alanos, etc.) e não encontraram grande resistência por parte das guarnições romanas.
Os Bárbaros entraram nas províncias romanas sem encontrar uma forte oposição organizada. Mas, quando chegaram à linha dos Pirenéus, debateram-se com Exércitos constituídos pelos servos ao serviço dos proprietários desses grandes latifúndios.
Entre 407 e 408, a Hispânia manteve a sua defesa, enquanto as tribos bárbaras deambulavam pela Gália. Contudo, em 409, a pressão aumentou sobre as forças que defendiam os Pirenéus. Apesar disso, não foram os Bárbaros, mas os Romanos (partidários de Constantino) que atacaram e aprisionaram estes homens, abrindo caminho às hordas de bárbaros que invadiram e saquearam a Península Ibérica.
Entre os Bárbaros surgiu uma tribo germânica que se instalou na Península Ibérica. Os Visigodos vinham da Europa Oriental, mas representavam já uma segunda geração romanizada. Este povo, que teve em Alarico um grande líder, chegou em 415 com Ataulfo à Tarraconense como aliado dos Romanos. Os Visigodos pagaram o direito de ocupar a terra da Hispânia, com a obrigação de guerrear com outros Bárbaros que ali se tinham instalado. Mediante um tratado com os Romanos, instalaram-se numa parte da Península Ibérica e no Sul da Gália. A sua intervenção veio contribuir para agravar o clima de violência vivido no século V, ao envolverem-se com outros povos germânicos que estavam a chegar a estes territórios.
Os Vândalos disputavam com os Suevos a posse de algumas regiões montanhosas no Norte, mas voltaram-se para sul, passando por uma grande parte daquilo que veio a ser o território português, até chegarem a Mérida. Em 426 eram senhores da Bética, contudo, a fome obrigou-os a passar Gibraltar em 429.
Os Alanos e alguns Vândalos que foram derrotados pelos Visigodos e os restantes fugitivos foram juntar-se aos Suevos, que se mantinham no Noroeste da Península (entre o Douro e Mar Cantábrico).
Os Suevos terão sido marcantes na Península, mas os seus vestígios não são avassaladores. O bispo Idácio não descreve de uma forma muito simpática os Suevos, porque foi atingido pela sua violência quando presidia à comunidade cristã de Chaves. Nos seus relatos refere que os Bárbaros protegiam os rudes camponeses que, nos castros, continuavam fiéis à memória de Prisciliano.
Idácio descreve a expansão dos Suevos até Lisboa, o que significava que o Rio Douro tinha sido transposto pela primeira vez como fronteira natural entre duas regiões politicamente diferentes. A Galécia e a Lusitânia apareciam unidas num espaço que viria, mais tarde, a ser o núcleo inicial de Portugal. Ele diz-nos que esta cidade foi entregue sem guerra aos Suevos. Certo é que o Rei suevo Réquila (438-448) saiu da Galiza e conquistou Mérida, cercou Mértola e ocupou Sevilha. Requiário (448-456), seu sucessor, continuou a expansão e casou-se com a filha de Teodorico; invadiu a Tarraconense, vindo depois a assinar um tratado de paz com os Romanos e com os visitados, o que não o impediu de voltar a guerrear. Entrou na Gália e ameaçou Tolosa, a capital dos Visigodos. Perante esta ameaça sueva, Visigodos e Romanos uniram-se para derrotar Requiário, que se refugiou em Braga, cidade que não escapou ao saque. Em 457, o líder suevo era definitivamente derrotado pelos seus inimigos.

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