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jogo simbólico

Segundo Piaget, a partir dos 2 anos de idade, a criança ultrapassa a barreira da simples perceção, em que necessita do contacto direto com o real, para aceder a um nível de representação pela interiorização da imitação, favorecida pela função simbólica. Tem acesso a representar o mundo na sua cabeça. O seu pensamento é dominado pelo simbolismo e pela importância que a criança dá aos objetos nos seus jogos simbólicos.
O jogo simbólico é, assim, a representação corporal do imaginário, e apesar de nele predominar a fantasia, a atividade psicomotora exercida acaba por prender a criança à realidade. Na sua imaginação ela pode modificar a sua vontade, usando o "faz de conta", mas quando expressa corporalmente as atividades, ela precisa respeitar a realidade concreta e as relações do mundo real.
Pelo jogo simbólico, a criança exercita não só a sua capacidade de pensar, ou seja, de representar simbolicamente as suas ações, mas, também, as suas habilidades motoras, já que ao brincar, salta, corre, etc.
Todo este processo é de extrema importância e deve ser encorajado: os desenhos e pinturas, o faz de conta, a linguagem permitem que realize os jogos simbólicos, sozinha ou com outras crianças, tão importantes para seu desenvolvimento cognitivo e para o equilíbrio emocional.
O faz de conta vai permitir à criança recriar experiências da vida quotidiana, situações imaginárias e utilizar os objetos livremente, atribuindo-lhes significados múltiplos. A adaptação das condições concretas existentes nos jardins e o aproveitamento dos materiais disponíveis bem como as disponibilidades emocionais da criança permitem conjunturalmente a materialização e evolução do jogo simbólico.
Partindo da ideia de Jean Piaget que existe ligação entre as funções cognitiva/afetiva, a metodologia propõe atividades de cooperação, motivação e ações que favoreçam as modificações intelectuais, sociais e afetivas.
Favorecer o desenvolvimento global da criança implica também dar-lhe oportunidade de representar, pois através do jogo simbólico a criança reforça as categorias de espaço, tempo, causalidade e constância de objetos. Este tipo de atividade ajuda a criança a livrar-se do egocentrismo característico deste estágio e a tornar-se menos dispersa.
A importância da expressão artística no processo de desenvolvimento da criança é essencial. Através do desenho, do teatro e da literatura, as crianças passam a participar do jogo simbólico, onde começam a exprimir os seus próprios pensamentos e a criar as suas próprias histórias.

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