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Libéria

Geografia
País da África Ocidental. Situado na costa atlântica, mesmo à entrada do golfo da Guiné, abrange uma área de 111 370 km2. Faz fronteira com a Serra Leoa, a noroeste, a Guiné, a norte, e a Costa do Marfim, e é banhado pelo oceano Atlântico, a sul. As principais cidades são Monróvia, a capital, com 557 500 habitantes (2004), Harbel (17 900 hab.), Gbarnga (14 500 hab.), Buchanan (27 500 hab.) e Yekepa (23 300 hab.).

Clima
O clima é equatorial no Sudeste e tropical húmido no resto do território.

Economia
A instabilidade político-social tem influenciado negativamente a economia deste país, outrora florescente. O setor agrícola apresenta-se como a principal atividade pelo facto de metade do território ser potencialmente arável, embora atualmente apenas 5% das terras estejam cultivadas, produzindo arroz, cevada, café, cacau e cana-de-açúcar. Por outro lado, beneficiando de um clima tipicamente tropical, a Libéria tem nas suas florestas uma das maiores fontes de riqueza, quer através do comércio da madeira, quer, principalmente, através da produção de borracha. Contudo, a área florestada diminuiu 13,2% desde 1981-83. A atividade piscatória, sobretudo de alto mar, tem algum relevo, o mesmo podendo dizer-se sobre as indústrias ligadas à extração mineira e as indústrias transformadoras, das quais se destacam as que estão ligadas à farmacêutica, à cerâmica, ao cimento, ao calçado e ao mobiliário. Contudo, o que se apresenta como economicamente rentável está maioritariamente nas mãos de companhias estrangeiras, tendo, de qualquer forma, vindo a registar-se um decréscimo no investimento estrangeiro, provocado pela situação instável que se vive na Libéria. Os principais parceiros comerciais da Libéria são a Bélgica, a Coreia do Sul, Singapura e a Ucrânia.
Indicador ambiental: sem dados (1999).

População
A população era, em 2006, de 3 042 004 habitantes, o que correspondia a uma densidade de 28,9 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 44,77%o e 23,1%o. A esperança média de vida é de 39,65 anos. Nem o valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) nem o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) foram atribuídos (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 5 994 000 habitantes. Entre os 22 grupos étnicos existentes no país, os principais são os Kpelle (19%), os Bassa (14%), os Grebo (9%), os Gio (8%), os Kru (7%) e os Mano (7%). As crenças tradicionais são seguidas por 63% da população, enquanto os cristãos, sobretudo protestantes (14%), correspondem a 21%. A língua oficial é o inglês.

História
A origem da Libéria está intimamente ligada ao fim da escravatura nos Estados Unidos da América. Embora se deva ao navegador português Pedro de Sintra a descoberta deste território em 1461, foi no início do século XIX que começou definitivamente a sua estruturação. Tudo começou com o acordo estabelecido entre os membros da Sociedade Americana para a Colonização (ACS) e os chefes das tribos locais, em 1821, após aqueles terem considerado o território apropriado para acolher os escravos libertos norte-americanos, os quais começaram a chegar a partir de 1822. Quase ao mesmo tempo, chegou também Jehudi Ashmun, um americano de raça branca que foi responsável pela formação do primeiro Governo, pela redação das primeiras leis e pelo arranque do comércio externo. Em 1839 foi nomeado o primeiro governador, Thomas Buchanan. O território, na altura, já incluía as cidades de Greenville e Harper, localizadas ao longo do rio St. John. Após a morte de Buchanan em 1841, sucedeu-lhe Jenkins Roberts, um negro livre nascido no Estado norte-americano da Virgínia, que foi responsável, primeiro pelo alargamento do território, quer na direção da Costa do Marfim (na altura colónia francesa) quer na direção da Serra Leoa (então colónia inglesa), e depois pela declaração da independência da Libéria em 1847 (tornando-a a primeira república da África Ocidental com uma Constituição em tudo idêntica à dos Estados Unidos da América).
O século XX não começou da melhor forma para a Libéria. Apesar dos esforços económicos e políticos que visavam fortalecer o país, quer externa, quer internamente, tal não foi conseguido, sobretudo no que dizia respeito ao controlo das terras do interior. Não foi de estranhar, por isso, que em 1919 a Libéria se visse obrigada a restituir à França uma região com cerca de 3200 km2 no interior do país, junto à fronteira com a Costa do Marfim. Esta conjuntura de permanente instabilidade, sobretudo económica, só foi superada aquando da Segunda Guerra Mundial, altura em que o país assumiu um papel preponderante junto dos Aliados ao tornar-se o seu único fornecedor de borracha. Tal facto levou à assinatura de diversos programas de cooperação, nomeadamente com os EUA, programas esses que incidiram, por exemplo, na construção de vastas estruturas de comunicação - estradas, vias ferroviárias e um aeroporto internacional. Este quadro de estabilidade manteve-se até 1980, ano em que ocorreu um golpe de Estado militar conduzido por Samuel Doe, que se viria a tornar chefe de Estado e presidente do Conselho de Salvação Popular (PRC). O PRC prometeu então uma nova Constituição (o que aconteceu em 1986) e o retorno à lei civil. Após as eleições de 1985, consideradas fraudulentas por observadores, Samuel Doe tornou-se o primeiro presidente da Segunda República, cargo do qual foi deposto em 1990 com o início de uma guerra civil entre os povos Krahn e Gio, de um lado, e o povo Mano, do outro. Apesar da intervenção de uma força multinacional da África ocidental em cooperação com as Nações Unidas, a guerra civil permanece no quotidiano dos liberianos, tendo como principais protagonistas Charles Taylor e Roosevelt Johnson.

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