Artigos de apoio

Luís Kandjimbo

Escritor angolano, Luís Kandjimbo nasceu em Benguela, em 1960.
Membro da Brigada Jovem de Literatura da Huíla, incentivou a implementação da resvista Hexágono.
Já em Luanda, tornou-se membro, entre 1981 e 1982, da Brigada Jovem de Literatura (BJL). Em 1984, integrou o grupo coletivo de trabalho literário "Ohandanji", ao lado de outros nomes jovens da ribalta literária, nomeadamente, Lopito Feijóo, Joca Paixão, Domingos Ginginha, António Panguila e Ana Paula Tavares.
É membro da União de Escritores Angolanos (UEA), fazendo parte também da Association pour l'Étude des Littératures Africaines (APELA), sedeada em Paris, na França.
Em 1989, apresentou ao I Congresso de Escritores de Língua Portuguesa uma comunicação intitulada "Para a Descalibanização das Literaturas Africanas" que suscitou alguma controvérsia.
Mantendo uma intensa ligação ao mundo literário, é responsável pela edição da gazeta Lavra e Oficina, da União de Escritores Angolanos, e da revista Mensagem do Ministério da Educação e Cultura de Angola (MEC).
Intelectual prestigiado, é responsável pelo programa televisivo de animação Leituras, na Televisão Pública de Angola (TPA).
Um dos nomes da geração de 80, a que ele próprio denominou de "Geração das Incertezas", o seu trabalho poético é caracterizado pela ausência dos referentes que caracterizam a poesia revolucionária, mantendo como temáticas nucleares - que aliás se constituem como fio condutor desta geração - a da desilusão face à situação vivida na sua Angola independente e a da angústia face ao futuro.
Embora superiormente consciente da necessidade de imprimir uma vertente crítica à sua poiesis, o autor rejeita uma postura poética panfletária e, através de um trabalho de recuperação dos aspetos universais da língua literária e de abandono dos regionalismos, denuncia, com profunda ironia e desencanto, a corrupção que impunemente varre o seu país: "O, neste tempo bizarro/Da profecia e do caos(...)".
Projetando um "eu lírico" nitidamente em crise, a poesia de Kandjimbo, como a de muitos outros poetas seus contemporâneos, metaforiza o mar como o espaço dual que simultaneamente simboliza a abertura para a liberdade e o abismo intransponível, rasgado pela deceção provocada pela guerra e pela corrupção: "O mar simboliza dor quando/estaciona nas trepidações/da muralha.", constituindo-se, então, como a imagem da amargura sentida por um sujeito poético que se sente enganado e desiludido por utopias próximas.
Crítico literário e ensaísta, os seus textos encontram-se publicados em vários jornais e revistas angolanas e estrangeiras.
Em parceria com Lopito Feijóo, escreveu o ensaio, s/d, Geração da Revolução.Novos Poetas Angolanos em Volta.
É autor das seguintes obras: Apuros de Vigíla.Ensaios de Meditação Genérica (1988); Apologia de Kalitangi.Ensaio e Crítica (1997); Estrada da Secura (1998), Menção Honrosa do Prémio Sonangol de Literatura (1998) - poesia; O Notívago e Outras Estórias de um Benguelense (2000) - conto; e De Vagares a Vestígios.

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