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luta de classes

Conflitos entre classes sociais com antagónicos interesses económicos e outros. Conceito central na análise marxista, a luta de classes é específica das sociedades com classes, nas quais o acesso à propriedade, à riqueza, ao poder e a outros recursos é desigual.
Desaparecidas (ou remetidas para zonas ultraperiféricas do planeta), as sociedades de caça e recoleção organizadas em bando - nas quais a diferenciação social é reduzida -, o aparecimento do Estado criou as bases para a expansão da estratificação social. Para Marx e Engels, desde o desaparecimento das sociedades primitivas, "a história de todas as sociedades que existiram até aos nossos dias tem sido a história das lutas de classes", entre as classes exploradoras e as classes exploradas, que lutam permanentemente entre si. Com a Revolução Industrial, a luta de classes não desaparece, apenas mudam os principais protagonistas: a burguesia e o proletariado. Para Lenine, a luta de classes apenas ocorre quando "os representantes da vanguarda de toda a classe operária dum país têm consciência da unidade da classe operária e empreendem a luta, não contra um patrão, mas sim contra toda a classe capitalista e contra o Governo que apoia essa classe". Deste confronto resultará, num cenário de vitória do proletariado, a formação de uma nova sociedade, primeiramente socialista e posteriormente comunista, na qual as classes desaparecem. Esta sucederá às diversas formações económico-sociais que a antecederam, nomeadamente à comunidade primitiva, ao esclavagismo, ao feudalismo e ao capitalismo.
Ao contrário dos teóricos liberais, que, não obstante admitirem a existência de classes nas sociedades capitalistas modernas, negam a importância central da luta de classes para a transformação social, os teóricos marxistas consideram que esta é essencial, mas não exclusiva, no processo de emancipação social, devendo ser articulada com outras formas como as que são empreendidas por diversos movimentos ecologistas, feministas, nacionalistas, de povos indígenas e outros.
Atualmente, a luta de classes assume diversas formas, muitas vezes esbatidas ou de fraca intensidade. Nos países capitalistas ocidentais, com práticas democráticas institucionalizadas, a luta de classes desenvolve-se no plano político - confronto entre partidos conservadores e partidos socialistas de matriz marxista - e no plano laboral - confronto entre o patronato e os trabalhadores. De referir a ação dos sindicatos, incluindo os dos trabalhadores diretamente assalariados pelo Estado, que se orienta, quase sempre, para o estabelecimento de compromissos entre o capital e o trabalho , numa perspetiva de estabilização do sistema capitalista. Já nos países periféricos - o chamado Terceiro Mundo -, a luta de classes pode também assumir outras formas, algumas violentas, como aquela que é empreendida pelos movimentos guerrilheiros da América Latina e da Ásia. Nestes países, estas lutas estão muitas vezes associadas ou, não raro, diluídas em lutas nacionalistas contra a globalização capitalista. Nas últimas décadas, lutas deste tipo deram origem a revoluções nacionais populares que, como argumenta Samir Amin, são profundamente anticapitalistas, ao oporem-se decididamente ao "capitalismo realmente existente".

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