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Mali

Geografia
País da África Ocidental. Abrangendo parte do Sul do deserto do Sara, o Mali tem a maior parte do seu território na faixa do Sahel. Tem uma superfície de 1 240 000 km2, faz fronteira com a Argélia, a norte, o Níger, a leste, o Burkina Faso, a sudeste, a Costa do Marfim a sul, a Guiné a sudoeste, e o Senegal e a Mauritânia a oeste.
As principais cidades são Bamako, a capital, com 953 600 habitantes (2004), Ségou (102 200 hab.), Mopti (115 500 hab.), Sikasso (127 900 hab.) e Gao (39 000 hab.).
O relevo do Mali é essencialmente formado por planícies e planaltos. A vida do país é marcada, ainda, pela presença de dois dos principais rios da África Ocidental, o Senegal e o Níger.

Clima
O clima do Mali é tropical seco, no Sul, e desértico, no Norte. Nas áreas de clima tropical seco registam-se duas estações distintas: uma seca, muito longa, que vai de novembro a junho, e uma estação húmida, que ocorre entre junho e outubro, e que é ainda influenciada pelas monções vindas do sudoeste.

Economia
O Mali tem, nas suas regiões mais a sul, as áreas de maior atividade humana, já que o Norte do país faz parte do Sara. É nestas regiões, mais precisamente nos vales dos rios Senegal e Níger e seus afluentes que, por exemplo, a agricultura, o mais importante setor económico, é praticada por mais de 80% da população ativa com o objetivo de assegurar a subsistência. Os esforços governamentais para a evolução deste setor têm sido infrutíferos, devido aos constantes períodos de secas, bem como ao baixo nível de tecnologia disponível. A indústria também não se encontra em melhor estado, pois baseia-se em pequenas empresas de transformação de produtos agrícolas, como o arroz ou o algodão. Por outro lado, o Mali possui uma atividade piscatória bastante considerável, tal é a riqueza de peixe existente nos deltas do interior. Quanto aos recursos mineiros, eles são extensos, embora a sua exploração seja mínima, o mesmo acontecendo em relação à produção hidroelétrica, situação que poderá melhorar com a construção da barragem do Manantali subsidiada pela Organização para o Desenvolvimento do Rio Senegal, constituída pelo Mali, o Senegal e a Mauritânia. Os principais parceiros comerciais do Mali são a Costa do Marfim, a França, a China e a Bélgica.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1980), é de 0,1.

População
Em 2006, tinha uma população de 11 716 829 habitantes. Tem uma densidade populacional de 10,7 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 49,82%o e 16,89%o. A esperança média de vida é de 49 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,337 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,327 (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 21 617 000 habitantes. Em termos etnolinguísticos, o grupo Bambara-Mandingas-Dyula representa 50% da população, havendo um grande número de outras etnias. A religião largamente dominante é a muçulmana. A língua oficial é o francês, embora existam numerosos dialetos étnicos.

História
De 1898 a 1960, período de tempo em que foi uma colónia francesa, o Mali foi conhecido por Sudão Francês, adotando a nova designação por alturas da independência, em homenagem ao império Mali que existiu entre o século XII e o século XVI.
A História do Mali está intimamente ligada ao Alto Níger, já que foi nessa região que nasceu o Império Mali, no século XII. Este império foi fundado pelo povo Mandinga sobre os escombros do reino Soninke do Gana, passando, a partir de então, a controlar a vasta rede de rotas comerciais, sobretudo do ouro. O declínio deste império no século XVI abriu caminho à conquista deste território por parte de Marrocos, o que aconteceu, mais precisamente, em 1591, através de uma invasão feita por um exército de 4000 homens armados com mosquetes. Esta imagem de força prolongou-se durante todo o tempo de ocupação, que terminou, primeiro, ao serem derrotados pelos Tuaregues em 1737, e, mais tarde, ao serem expulsos pelos Fulas em 1833. Entretanto, um novo império começou a surgir em Ségou, estabelecido pelos Bambara. Sob o nome de Ségou Tukulor, este viria a ser o império dominante no território até 1883, ano em que a França lançou uma série de campanhas militares que levariam à sua conquista em 1893. O que é presentemente o Mali tornou-se parte da África Ocidental Francesa em 1898, embora as suas fronteiras sofressem constantes alterações, sendo conhecido principalmente por Sudão Francês.
O processo de independência do Mali tem a sua origem em 1946, quando foram criados partidos políticos para pertencerem à Assembleia Territorial entretanto formada, destacando-se, desde o início, o Partido da Assembleia da União Africana Democrática (US-RDA), assim como o seu líder, Modobo Keita. A 24 de novembro de 1958, o território passou a denominar-se República Sudanesa, constituindo um Estado autónomo na comunidade francófona e juntando-se, a 10 de janeiro de 1959, ao Senegal para formar a Federação do Mali sob a presidência de Modobo Keita. Finalmente, a 22 de setembro de 1960, o congresso do US-RDA proclamou a independência da República do Mali, sendo Modobo Keita o seu primeiro presidente.
A política do US-RDA revelou ter as suas bases no marxismo-leninismo, pois assentava numa política socialista radical, na estatização de toda a economia e numa revolução cultural à imagem daquela praticada na China. Contudo, tal política não foi do agrado da generalidade da população, criando-se, assim, condições para um golpe de Estado, que veio a acontecer a 19 de novembro de 1968, liderado pelo tenente Moussa Traoré. Foi formado, então, um Comité Militar de Libertação Nacional, que governou o país até 1979, ano em que foi eleito um Governo civil na sequência da aprovação de uma nova Constituição, em 1974 (ano do primeiro confronto militar com o Burkina Faso a propósito da Faixa de Agacher, na fronteira entre os dois territórios). No entanto, Traoré manteve-se como presidente, embora com o partido da União Democrática e Popular do Mali a governar o país. Foi reeleito para o cargo em 1985 (pouco antes do segundo e último confronto militar com o Burkina Faso, que durou apenas 5 dias) e deposto em 1991 através de um golpe de Estado que pretendia aumentar o fator democracia no Mali. Três anos mais tarde, e como os objetivos daquele golpe de Estado não estavam a ser respeitados, um gigantesco movimento estudantil irrompeu contra o Governo, obrigando o então primeiro-ministro, Sekou Sow, a renunciar ao cargo, sendo substituído pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Boubacar Keita. Este novo primeiro-ministro impôs uma política repressiva, cujas medidas iam desde o fecho de órgãos de comunicação social oposicionistas até ao encerramento de escolas secundárias e de ensino superior. Estas medidas não foram, no entanto, suficientes para terminar com a instabilidade interna, já que nomeadamente os estudantes apoiavam as ações de grupos armados clandestinos ligados aos rebeldes tuaregues contra os interesses multinacionais no Mali, ações essas que continuaram mesmo após a assinatura de um acordo que previa a integração dos rebeldes do Movimento da Frente Unida de Azaouad no exército governamental. Desde então, as discussões sobre o problema dos refugiados tuaregues na Argélia e na Mauritânia têm dominado a agenda política do Mali.

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