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Mamã, tenho tanto medo!







Mamã, tenho tanto medo!
Dos 6 anos aos 11, os acontecimentos sobrenaturais, as feridas, o sofrimento físico, a saúde, a morte e os aspetos escolares são os medos mais comuns. Dos 11 aos 13 anos, os medos já se tornam mais elaborados, centrando-se nos relacionamentos interpessoais, e autoimagem...








"Um conjunto de peixes, guppies, foram agrupados em tímidos, vulgares e corajosos, dependendo da sua reação de fuga ou enfrentamento perante um outro peixe predador. Os peixes designados por tímidos caracterizavam-se por se esconderem ou nadarem para longe, ao contrário, os corajosos mantinham-se no local onde se encontravam e enfrentavam o congénere ameaçador. Cada um destes grupos de peixes foi deixado no aquário com o predador. Após 60 horas 40% dos guppies tímidos estavam vivos e o mesmo aconteceu a apenas 15% dos classificados como vulgares. Todos os corajosos foram convertidos, durante este período, num suplemento alimentar para o peixe predador".
Soares, I. (Coord.) (2000). Psicopatologia do Desenvolvimento: Trajetórias (in)Adaptativas ao Longo da Vida. Coimbra: Quarteto.


Esta experiência realizada por Lee Dugatkin, da Universidade de Louisville, e descrita por Nesse & Williams (1994) demonstra claramente o quanto é importante ter medo. O medo desempenha uma função indispensável para a nossa sobrevivência, uma vez que é ele que despoleta o comportamento de fuga perante uma situação de perigo ou ameaça.
Quer ao longo da evolução quer ao longo do processo de desenvolvimento, o Homem viverá sempre com o medo lado a lado. O medo acompanha o Homem desde sempre, sendo mesmo possível falar em medos típicos, em função da etapa de desenvolvimento em que este se encontra.
No primeiro ano de vida os medos relacionam-se com adultos estranhos, ruídos, alturas e o afastamento da figura com quem a criança estabeleceu uma relação privilegiada (por exemplo a mãe). Do primeiro ano aos 2 anos e meio, o que causa mais medo às crianças são as tempestades naturais e pequenos animais/insetos. Dos 2 anos e meio aos 6, o medo de seres imaginários, fantasmas, monstros e animais em geral é frequente. Ficar só e o escuro causam também medo às crianças desta faixa etária.
Dos 6 anos aos 11, os acontecimentos sobrenaturais, as feridas, o sofrimento físico, a saúde, a morte e os aspetos escolares são os medos mais comuns. Dos 11 aos 13 anos, os medos já se tornam mais elaborados, centrando-se nos relacionamentos interpessoais, e autoimagem. Dos 13 aos 18 anos na sexualidade parece ser o fator que causa maior ansiedade. O aparecimento de medos que não se enquadram nesta descrição de Marks e Sandín (1997) não são necessariamente patológicos.
De onde vem o medo?
Existem vários fatores que poderão ser considerados responsáveis pelo desenvolvimento de medos. Um desses fatores são as experiências do dia a dia. Experiências estas onde, por vezes, ocorre a associação entre acontecimentos aversivos e situações previamente neutras. Em resultado dessas associações, situações neutras passam a ser consideradas aversivas, causando consequentemente medo.
Um outro fator é a modelagem, isto é, a aprendizagem por observação. Os medos podem ser adquiridos por observação de pessoas que reagem medrosamente em relação a determinadas situações. Por esta razão, as famílias onde existe um elevado número de medos são famílias de risco. Os descendentes de pais com muitos medos têm maior probabilidade de desenvolverem medos mais intensos, assim como também perturbações ansiosas.
A transmissão de informação negativa verbal, que pode ser feita pela comunicação social, livros, familiares e tradições populares, é ainda outro dos fatores que poderá despoletar o aparecimento de medos.







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