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Margaret Bourke-White

Fotógrafa norte-americana, Margaret Bourke-White nasceu a 14 de junho de 1904, no Bronx, em Nova Iorque, filha de Joseph White, inventor e engenheiro, e Minnie Bourke.
Era ainda muito nova quando a família se mudou para os subúrbios rurais de New Jersey. Margaret e a irmã Ruth foram ensinadas desde muito cedo pela mãe, que exercia uma educação bastante rígida, controlando todas as influências que pudessem vir do exterior. Margaret tinha uma relação muito próxima com o pai. A casa da família, cheia de fotografias, denotava o gosto de Joseph White. Aos 8 anos, imitando o pai, fingia tirar fotografias com uma caixa vazia de cigarros e ajudava-o a revelar algumas imagens.
Em 1921 entrou na Universidade de Michigan e, ainda enquanto caloira, começou a tirar fotografias para o anuário da instituição. No ano seguinte, foi-lhe oferecido o cargo de editora de fotografia, mas em vez de aceitar esta proposta, decidiu casar-se com Everett Chapman, um estudante de Engenharia. Abandonou a fotografia para se dedicar ao seu casamento, mas dois anos mais tarde divorciou-se e mudou-se para Cornell, onde voltou a estudar e a dedicar-se à fotografia. Quando acabou o curso mudou-se para Cleveland, onde se encontrava a família, para iniciar a sua carreira. Organizou um portfólio com as fotografias de arquitetura que tinha tirado em Cornell.
Após o sucesso do seu primeiro trabalho, montou um estúdio no seu próprio apartamento. Margaret ganhou dinheiro fotografando belas casas e jardins durante o dia, mas nos tempos livres dedicava-se a fotografar aquilo que realmente lhe interessava - predominantemente fundições, estruturas de aço, entre outras. O seu portfólio chamou a atenção dos maiores industriais de Cleveland, tendo feito trabalhos que lhe trouxeram dinheiro suficiente para mudar o seu estúdio.
Em 1929, o editor Henry R. Luce convidou-a para colaborar numa nova revista semanal - a Time. Margaret sentiu-se, no entanto, mais entusiasmada com um outro projeto que estava também a ser planificado: a revista de negócios Fortune. Durante 8 meses preparou as imagens que iriam sair no primeiro número, em julho de 1929. A primeira história foi sobre a empresa Swift & Co., uma suinicultura. Margaret trabalhou neste projeto com Lloyd-Smith, até ao momento em que este adoeceu. Quando Margaret terminou o trabalho, teve que queimar a maior parte do seu equipamento fotográfico, dadas as condições a que esteve exposto. Apesar de tudo, este projeto constituiu um passo decisivo no desenvolvimento do seu estilo.
Em 1930, decidiu partir para a Rússia, que se encontrava em plena revolução industrial e cultural. Mas a entrada no país estava vedada a estrangeiros e os seus editores não acreditavam que ela conseguisse passar a fronteira. Por isso, optaram por enviá-la para a Alemanha, para que fotografasse a indústria emergente. Margaret decidiu, no entanto, partir para a Rússia por sua conta e risco. Depois de seis semanas de espera, um oficial russo ficou tão impressionado com o seu portfólio, que lhe concedeu permissão de entrada, dando também indicações para que todos os cidadãos soviéticos a assistissem sempre que necessário. Durante cinco semanas, viajou por quase todo o país, fotografando barragens, fábricas, quintas, trabalhadores, etc. Ao todo tirou quase mil fotografias, que resultaram no primeiro grande documentário sobre a Rússia. Regressaria mais tarde, desta vez a convite do governo russo, mas em vez de se dedicar à habitual fotografia industrial, concentrou mais a sua atenção nas pessoas. A revista de domingo do New York Times publicou seis artigos seus sobre a viagem, juntamente com as fotografias.
Em 1936 foi responsável pelas fotografias do livro "You Have Seen their Faces", do escritor Erskine Caldwell, onde as imagens são um documentário sobre o povo rural pobre do sul.
No mesmo ano, Henry Luce decidiu lançar uma nova publicação, uma revista onde as imagens não fossem complemento do texto, mas que contassem a história por si mesmas. E assim nasceu a Life. Margaret Bourke-White foi um dos primeiros quatro fotógrafos contratados.
No início dos anos quarenta, a Europa assistiu ao crescimento de tensões internas. Margaret foi enviada para a Rússia e, quando a 22 de julho de 1941 caíram as primeiras bombas em Moscovo, era o único fotógrafo estrangeiro no local. Foi o seu maior furo jornalístico e, consequentemente, também o da revista Life.
Durante os quatro anos seguintes, continuou a fotografar cenários de guerra, desde mortos dos campos de concentração a líderes, tendo mesmo chegado a voar nos bombardeiros americanos durante os ataques para registar imagens da destruição.
Já depois da Segunda Guerra Mundial, mais especificamente em 1946, a Life enviou-a para a Índia e para o Paquistão. Foi nesta missão que conseguiu fotografar Mahatma Gandhi durante uma entrevista, precisamente uma hora antes do seu assassinato. Uma destas imagens do líder da causa independentista da Índia acabaria por ficar para a História.
Nos anos que se seguiram esteve na guerra da Coreia e na África do Sul a fotografar as minas de ouro.
Em 1956 descobriu que tinha a doença de Parkinson e foi submetida a uma cirurgia experimental com vista a atenuar os efeitos da doença. A operação foi bem sucedida e Margaret regressou de novo ao trabalho na Life, embora como jornalista. Juntamente com o seu colega e amigo Alfred Eisenstaedt, fez uma história sobre o tipo de cirurgia a que tinha sido submetida que acabou por ser publicada alcançando grande popularidade.
Depois de uma nova cirurgia começou a escrever a sua autobiografia, "Portrait of Myself".
Em 1971 foi hospitalizada e a 21 de agosto desse ano morreu, com 67 anos.
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