Maria Velho da Costa
Nome: Maria de Fátima Bívar Velho da Costa Nascimento: 26-6-1938, Lisboa
Ficcionista, licenciada em Filologia Germânica, frequentou o curso de Grupoanálise da Sociedade Portuguesa de Neurologia e de Psiquiatria. Foi presidente da Associação Portuguesa de Escritores e dirigiu a revista literária Loreto 13
(1978-1988). Tendo leccionado em Londres, entre 1980 e 1987, foi ainda adida cultural da Embaixada de Portugal em Cabo Verde, entre 1988 e 1990. Estreou-se com um livro de contos, O Lugar Comum
, mas só após a publicação de Maina Mendes
inauguraria na escrita contemporânea uma poética romanesca original, fundada "na trama de uma escrita densa e plural, de um virtuosismo sem exemplo entre nós" (cf. LOURENÇO, Eduardo - O Canto do Signo
, Lisboa, Presença, 1994, p. 192). Para Eduardo Lourenço, o "sortilégio" de Maina Mendes
"exige uma lenta impregnação da sua matéria textual, de poderes encantatórios pouco comuns, tão visivelmente marcada como está pela aventura poética mais inovadora dos nossos últimos trinta anos e a sua conatural autonomia, mas ao mesmo tempo desviada em profundidade do seu emprego descritivo por um metaforismo implícito e permanente a que só o devir da narração confere verosimilhança sem nunca o petrificar" " (id. ibi.,
p. 193). Com a colaboração, ao lado de Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno, nas Novas Cartas Portuguesas
, obra reprimida pela censura (que valeu, inclusive, às autoras a instauração de um processo que terminou em absolvição depois do 25 de Abril) e largamente difundida a nível internacional, o seu nome ficou celebrizado dentro de um registo de exaltação do corpo, de libertação feminina e de denúncia das hipocrisias e repressões do mundo social. A publicação de Casas Pardas
, em 1977, confirma a aventura romanesca de Maria Velho da Costa como uma das mais subversivas da actualidade, desconstruindo, pela sua irradiação textual, todos os níveis da escrita, desde a ligação sintáctica até aos moldes de leitura tradicionais, exigindo pela sua radical abertura e pulverização discursiva um papel activo do leitor. Neste romance, como em Lúcialima
ou nas obras subsequentes, é pertinente a perspectiva apresentada por Maria Alzira Seixo a propósito de Casas Pardas,
ao afirmar que é numa "dialéctica de construção cerrada e de abertura de sentido que o percurso do texto se estende, dividido entre a representação e a produção, ao mesmo tempo súmula do que pode ainda dar a forma romanesca tradicional e a abertura para as vias de uma actual forma do seu entendimento".
Maria Velho da Costa foi distinguida com o Prémio Cidade de Lisboa, pelo romance Casa Pardas
(1977), com o Prémio D. Dinis, por Lucialima
(1983) e com o Prémio de Novela e Romance da APE, pelo romance Irene ou o Contrato Social
(2000). Em 2002 foi distinguida com o Prémio Camões.
Bibliografia: Desescrita, Lisboa, 1973; Cravo, Lisboa, 1976; O Mapa Cor-de-Rosa, Lisboa, 1984; Corpo Verde, Lisboa, 1979; O Lugar Comum, contos, Lisboa, 1966; Maina Mendes, Lisboa, 1969; Novas Cartas Portuguesas (com Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta), Lisboa, 1972; Casas Pardas, Lisboa 1977; Da Rosa Fixa, Lisboa, 1978; Lúcialima, Lisboa, 1983; Missa in Albis, Lisboa, 1988; Dores, Lisboa, 1994; Português, Trabalhador, Doente Mental, Lisboa, 1976
Como referenciar este artigo:
Maria Velho da Costa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-03-14].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$maria-velho-da-costa>.
|
| Ficha Informativa | Local de nascimento Lisboa, Portugal Nacionalidade (país) Portugal |
| Banco de Recursos |  |  | Após a publicação de "Maina Mendes" (1969), Maria Velho da Costa inaugura na escrita contemporânea uma poética romanesca original |  |  |  | | Imagem |  | | Tema(s): Literatura |  | | > VER DOCUMENTO | |  | Maria Velho da Costa, escritora portuguesa |  |  |  | | Imagem |  | | Tema(s): Literatura |  | | > VER DOCUMENTO | |  |  |  |
|
| Prémios Nobel |  | |
| Sugestões de consulta | Literatura|Literatura Portuguesa Escritores |
|