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Mattoso Camara

Linguista brasileiro, Joaquim Mattoso Camara JR. nasceu a 13 de abril 1904, no Rio de Janeiro, e faleceu a 5 de fevereiro de 1970, na mesma cidade. Em 1926, ocupou o cargo de desenhador na Inspetoria de Águas e Esgotos, função que viria a abandonar definitivamente em 1937. Formou-se em Arquitetura, pela Escola Nacional de Belas Artes, em 1927, e em 1928 começou a lecionar as disciplinas de Português e Latim no Colégio Pedro II e em outras escolas particulares do Rio de Janeiro. Por desejo do pai, o economista político Joaquim Mattoso Duque Estrada Camara, formou-se em Direito em 1934, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Entretanto, o seu percurso como professor de linguística só viria a consubstanciar-se quando, em 1937, completou licenciatura em Filologia Latina e Neolatina, pela antiga Universidade do Distrito Federal. Um ano depois, ocupou a categoria de Professor-Adjunto na mesma universidade e instaurou o ensino da linguística, muito influenciado à epoca pelos estudos de linguística descritiva dos linguistas contemporâneos Roman Jakobson e Leonard Bloomfield.
Em 1942, Mattoso Camara publicou o primeiro compêndio de linguística geral em língua portuguesa, à semelhança de linguistas de renome como André Martinet: Princípios de Linguística Geral. Em 1943, Mattoso Camara ganhou uma bolsa de estudos da Fundação Rockefeller que lhe permitiu fazer uma especialização em linguística na Universidade de Nova Iorque, onde foi aluno de Louis Gray e Roman Jakobson. Em 1948, tornou-se pioneiro no ensino da linguística estrutural na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, embora só em 1962, a disciplina de linguística tenha sido inserida nos currícula dos cursos de Letras por decisão do Conselho Federal de Educação.
Em 1949, Mattoso Camara concluiu Doutoramento em Letras Clássicas pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil com a dissertação: Para o estudo da fonêmica brasileira, acerca do uso coloquial da variante dialetal falada no Rio de Janeiro. Este trabalho implicava já a assunção do método descritivista de análise das línguas, segundo os princípios do estruturalismo, embora o autor também defendesse a gramática normativa por ser importante para o ensino escolar da língua.
Mattoso Camara recebeu, em 1952, o título de livre-docente de língua portuguesa com a tese Para a contribuição da estilística da língua portuguesa. Foi também o responsável pelo primeiro curso de pós-graduação em linguística do Brasil e deu início aos estudos descritivistas das línguas indígenas. Veio mais tarde a lecionar na Universidade Santa Úrsula, na PUC-Rio e na Universidade Católica de Petrópolis, onde permanece guardada desde 1971 a Coleção Mattoso Camara, constituído pelo seu espólio com cerca de 6500 peças, de onde se destaca a volumosa correspondência trocada entre o linguista e outros professores e linguistas estrangeiros.
Mattoso Camara participou sempre em associações científicas, congressos e simpósios. Integrou o Programa Interamericano de Linguística e Ensino de Línguas (Pilei), a Associação de Linguística e Filologia da América Latina (Alfal) e foi membro fundador Academia Brasileira de Filologia, da Associação Brasileira de Linguística (Abralin) e da Academia Brasileira de Filologia. Foi também um dos membros fundadores do Círculo Linguístico de Nova York formado em 1943 como alargamento da École Libre des Hautes Études, organizada por um grupo de belgas e franceses refugiados do nazismo da Segunda Guerra Mundial. Mattoso Camara participou no 1.º Simpósio Luso-brasileiro sobre a língua portuguesa contemporâneo onde recebe reconhecimento internacional. Em 1967, foi o único latino-americano a fazer parte dos doze membros do Comité Internacional Permanente de Linguistas (1967).
Mattoso Camara teria recebido o Prémio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, como homenagem ao seu inequívoco contributo à língua portuguesa, se não fosse a notícia inesperada da sua morte a 5 de fevereiro de 1970.
A obra deixada por Mattoso Camara no domínio dos estudos de linguística geral, largamente influenciada pelas correntes europeias do funcionalismo de André Martinet, tornou-o uma referência incontornável nos estudos de linguística portuguesa. A tónica de modernidade científica e metodológica que colocou em cada assunto permitiu perceber a língua como um todo, como uma estrutura definida pela relação entre os seus constituintes e pelas funções por eles desempenhadas. Seguem alguns títulos publicados pelo autor em linguística:
(1942),1980, Princípios de linguística geral, Rio de Janeiro: Padrão Livraria Editora.
Dicionário de filologia e gramática (hoje com o título Dicionário de lingüística e gramática)
Manual de expressão oral e escrita
(1953),1977, Para o estudo da fonêmica portuguesa, Rio de Janeiro: Padrão Livraria Editora.
1970, Estrutura da língua portuguesa, Rio de Janeiro: Ed. Vozes.
1971, Problemas de lingüística descritiva, Rio de Janeiro: Ed. Vozes.
1975, História da Linguística, Rio de Janeiro: Ed. Vozes.
1985 (4.ª ed) História e estrutura da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Padrão Livraria Editora.
1972, Dispersos (publicação póstuma organizada por Carlos Eduardo Falcão Uchoa)
Seguem também algumas obras sobre estilística da língua publicadas por Mattoso Camara:
Contribuição à estilística portuguesa
Considerações sobre o estilo ( in Dispersos)
Ensaios machadianos: língua e estilo.

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