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Meios de comunicação e Música no 3.º quartel do séc. XX

Tendo as técnicas de comunicação conhecido um desenvolvimento extremamente veloz durante todo o século XX, houve um inevitável e colossal impacto em toda a sociedade industrializada causado por esta avalanche de informação. Deste modo, com a proliferação de jornais, revistas, livros, rádio, televisão, publicidade de todo o género e cinema as pessoas cada vez recebiam naturalmente mais e mais informação frequentemente de uma forma passiva. Assim, assistiu-se a uma progressiva homogeneização, formação e controlo sócio-políticos de civilizações que antes desta época baseavam a sua vivência e convivência na transmissão oral. O rádio e a televisão são os instrumentos ideais, dentro dos meios de comunicação, para determinados grupos sociais transmitirem ou imporem mensagens inconscientemente a um grupo humano disperso e heterogéneo, afetando a educação, a política, a religião, o comércio e outros níveis sociais. Um fenómeno arrasador da década de 60 foi a música pop dos Beatles, que influenciou a moda nos casacos sem lapela, cabelos compridos, misticismo oriental e da música da Índia, além das drogas alucinogéneas e dos ideais políticos. Os concertos deram origem à cultura hippy, que preconiza as drogas (sobretudo o LSD), os cabelos compridos, as minissaias, a música agressiva, a anarquia e o sexo livre, contra o materialismo capitalista. Estando os aparelhos no espaço do recetor e passando este muito tempo a receber aquilo que é emitido, têm estes meios de comunicação um predicado privilegiado: o do contacto direto, imediato e permanente, induzindo a um comportamento análogo entre espectadores. Um dos problemas postos era o da violência transmitida pela televisão, como os abusos sexuais, os atos terroristas e a violência juvenil, que induziam determinados espectadores à prática dessas mesmas ações. Tal preocupação começou a surgir com factos violentos que se sucederam nos anos 60, como a guerra do Vietname, o assassinato do presidente norte-americano John Kennedy e de Martin Luther King, o tráfico de droga, terrorismo, motins urbanos e manifestações racistas. Por um lado, foram estes meios de comunicação acusados de aumentar as taxas de delinquência, aniquilar a criatividade, deteriorar a moral, diminuir os gostos culturais do grande público, e por outro, elogiados pela rapidez de divulgação de notícias de locais próximos e longínquos, por fazer com que toda a gente tenha acesso à cultura, por denunciar corrupção e por dinamizar a economia ao potenciar vendas de produtos. Um exemplo foi o fenómeno da música rock and roll no final dos anos 50, encarnado em Elvis Presley e com origem no rhythm and blues. A popularidade desta música e do correspondente no cinema e na televisão (tendo como ídolo de ecrã James Dean) foi tal que criou todo um mecanismo comercial para responder às necessidades de uma onda juvenil revolucionária com muito dinheiro para gastar. No início da década de 60 foi a vez do twist se impor pela voz de Chubby Checker, ascendendo as vendas de The Twist a três milhões de discos. Em 1961 assistiu-se à estreia de West Side Story (Robert Wise, Jerome Robbins, Leonard Bernstein e Stephen Sondheim), musical que atingiu grande sucesso na América e na Europa e retrata precisamente os conflitos raciais entre bandos de ianques e porto-riquenhos.
De facto, tanto a televisão como a rádio foram consideradas instrumentos que aumentam o mercado, facilitando o desenvolvimento de uma sociedade industrial avançada, que cativa as pessoas e cria necessidades, projetando o futuro das mesmas sociedades que servem. Resulta assim a chamada "aldeia global", o ajuntamento de toda a Humanidade numa só tribo, tal como nos primórdios sociais, aglutinada pela informação transmitida pelos media. Esta massificação originaria em meados dos anos 50 a chamada pop art, estilo artístico praticado e difundido a nível mundial que espelha a mudança radical do mundo de então, a progressiva homogeneidade cultural e o disparo do consumismo. A televisão introduziu programas que entre as décadas de 40 e 70 se tornariam copiados e adaptados em todo o mundo e recordistas de audiências, como os espetáculos de variedades (inaugurados com The Ed Sullivan Show, 1948), as séries ou sitcom, cuja popularidade se deve ao facto de retratarem o dia a dia de um ambiente restrito e específico (de uma casa, um escritório, etc.) com relevo das emoções, com quem o espectador se identifica. Paralelamente, protagonistas como Marlon Brando e James Dean tornaram-se ídolos de uma geração de uma geração de jovens rebeldes e insatisfeitos nos anos 50, impondo um novo estilo de vestuário em que os jeans são a peça marcante. É nesta década, concretamente em 1956, que a televisão chega a Portugal, e é neste mesmo ano que Amália Rodrigues se lança internacionalmente no Olympia de Paris, tornando-se na primeira artista portuguesa com projeção além-fronteiras. Enquanto a televisão se não implantava, imperavam as cançonetistas e a música popular que tanto caracterizava o povo português da altura. Também em 1956 Luís Góis e José Afonso ressuscitavam, com o disco Fados de Coimbra, a antiga tradição das serenatas e guitarras estudantis, provocando uma grande alteração no cenário musical português. Assim se realizava a intenção nacionalista proposta por Salazar, em que o fado representava uma importante base para a identidade cultural portuguesa.
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