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Melanie Klein

Psicanalista austríaca, Melanie Klein nasceu a 30 de março de 1882, em Viena. Filha mais nova de um conjunto de quatro irmãos, cedo ficou marcada pela morte precoce de dois deles e do pai que faleceu quando Melanie tinha 18 anos. Estes acontecimentos, pensa-se, terão influenciado alguns dos seus trabalhos onde é notória a existência de uma postura depressiva e melancólica.
Melanie, assim como o pai, o senhor Reizes, demonstrou um grande interesse pela Medicina, ingressando na Universidade. No entanto, casa-se em 1903, aos 21 anos com o engenheiro Arthur Stephen Klein, abandonando a Medicina e optando pelo estudo da Arte e História. Os lutos sucessivos e a frustração em termos de vocação precipitaram o encontro de Melanie com a Psicanálise.
A morte da mãe em 1914 acentuou este encontro, levando Melanie a fazer psicanálise com Sandor Ferenczi, um discípulo húngaro de Freud. No ano de 1919 produziu o seu primeiro trabalho de campo, apresentando-o à Sociedade Húngara de Psicanálise - O Desenvolvimento da Criança, que se centra na educação sexual de uma criança. Segundo alguns autores, ela analisou o próprio filho, Erich (então com 4-5 anos), adotando no estudo o pseudónimo de Fritz.
Em 1921 foi convidada por Karl Abraham para se juntar ao Instituto de Psicanálise de Berlim, onde permaneceu até 1926. Neste mesmo ano Abraham morreu, mas Melanie, considerando-se sua pupila, decidiu continuar a sua obra. De salientar a grande influência que o trabalho de Abraham sobre melancolia teve sobre Melanie.
Melanie Klein, sem o seu protetor, encontrou em Berlim muitas dificuldades. A sua posição menos ortodoxa e as quezílias com Anna Freud, cujas ideias e teorias eram apoiadas pela Sociedade Psicanalítica de Berlim, trouxeram-lhe grandes problemas em expor os seus trabalhos. Em 1926 Melanie veio para Londres onde viveu até à sua morte. Posteriormente, em 1933, a morte do seu filho Hans num acidente de montanha, despertaria a dor de todos os precedentes, reforçando a sua postura depressiva. Foi neste período que ela apresentou as suas observações e teoria de psicanálise infantil, acreditando que o jogo livre das crianças tem um modo simbólico de controlar a ansiedade. Melanie observou que o jogo livre tem uma forma de determinar os impulsos psicológicos e as ideias associadas com os primeiros anos de vida. No desenvolvimento precoce, ela apercebeu-se que a criança relaciona as partes e não os objetos completos. Por exemplo, associa o peito da mãe e não a mãe como um todo. Klein considerava diferentes posições da criança na relação com os objetos, ao longo do seu desenvolvimento. Numa primeira posição esquizoide-paranoide, a criança tem um modo instável e primitivo de identificação. Numa segunda fase, a posição é depressiva começando a criança a relacionar os objetos por inteiro, como por exemplo a mãe e o pai. Esta fase é marcada pela recognição infantil da ambivalência dos sentimentos e pela moderação dos conflitos internos acerca deles.
A teoria de Melanie assenta, assim, segundo I. Borges (1987) na técnica do jogo, na criação e conceção de estádios arcaicos da situação edipiana precoce - a formação de um Super-Ego precoce e a possibilidade de transfert através do jogo.
Melanie é, assim, levada a explorar "dados essenciais no seu sistema teórico como o núcleo da parte psicótica da personalidade, a fantasmatização do sadismo anal e uretral e a luta do Eu para se furtar ao sadismo, e a angústia através da clivagem, da projeção, da introjeção e da expulsão projetiva" (Borges,1987).
Melanie Klein morreu a 22 de setembro de 1960, em Londres, deixando obras com um contributo inegável para o estudo da psicanálise. De entre elas podem citar-se: 1959, Developments de la Psychanalyse; 1968, Envie et Gratitude; 1974, Essais de Psychanalyse; 1975, La Psychanalyse des enfants; 1976, Development de la Psychanalyse (3.ª ed.) ( Klein, M., Heiman P., Isaacs S. & Rivière).

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