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Mértola

Aspetos Geográficos
O concelho de Mértola, do distrito de Beja, localiza-se no Alentejo (NUT II), no Baixo Alentejo (NUT III). Ocupa uma área de 1292,7 km2 e abrange nove freguesias: Alcaria Ruiva, Corte do Pinto, Espírito Santo; Mértola, Santana de Cambas, São João dos Caldeireiros, São Miguel do Pinheiro, São Pedro de Solis e São Sebastião dos Carros.
O concelho encontra-se limitado a norte pelos concelhos de Beja e Serpa, a este por Espanha, a sul por Alcoutim, no distrito de Faro, e a oeste por Castro Verde e Almodôvar.
Este concelho apresentava, em 2005, um total de 8123 habitantes.
O natural ou habitante de Mértola denomina-se mertolense ou mertolino.
Possui um clima mediterrânico, com um período seco de 80 a 100 dias, durante o verão, em que a temperatura média varia entre os 26 °C e os 29 °C. No inverno, as temperaturas são relativamente moderadas.
A sua morfologia é marcada pela serra de Mértola (192 m), serra de Alcaria Ruiva (370 m), serra de São Baiol (255 m) e serra de Alvares (310 m).
Dos recursos hídricos, referência para o rio Chança, o rio Guadiana, a ribeira de Carreiras e a ribeira Alvacar.
As terras deste concelho estão abrangidas pelo Parque Natural do Vale do Guadiana, que tem um elevado interesse faunístico, florístico, geomorfológico, paisagístico e histórico-cultural. É de realçar também o Pulo do Lobo no rio Guadiana, o centro histórico de Mértola, a mina de S. Domingos, o Pomarão e os moinhos de água e de vento.

História e Monumentos
Nas terras deste concelho existem vestígios de Mértola ter sido um entreposto comercial importante na época dos Fenícios, Cartagineses, Romanos e Árabes, devido à existência de via fluvial e terrestre com ligação ao sul da península.
O seu nome originalmente seria Myrtilis, na época romana, passando posteriormente a ser Mértola.
Os Árabes deixaram uma fortaleza ocupada pelos cristãos, e uma mesquita, que viria a ser transformada em igreja paroquial da sede do concelho.
Em 1238, D. Sancho II conquistou Mértola aos mouros, doando a vila à Ordem de Sant'Iago para esta a repovoar.
No século XIII, iniciou-se o povoamento definitivo destas terras, facto comprovado pelos achados arqueológicos dessa época. Em Alcaria Longa existem diversos testemunhos da presença de comunidades pastoris.
Recebeu novo foral em 1512 outorgado por D. Manuel.
No século XIX e ainda no século XX, a economia de Mértola dependia muito da exploração das minas de S. Domingos, que se transformaram num grande centro de extração de pirite cúprica.
A nível do património arquitetónico, são de realçar o Campo Arqueológico de Mértola, que apresenta um vasto programa museológico, sendo Mértola considerada uma vila-museu com diferentes áreas de intervenção e investigação, organizadas em três núcleos: o Núcleo Romano, o Núcleo Visigótico, que inclui uma basílica cristã, e o Núcleo Islâmico, onde se pode ver uma das melhores coleções portuguesas de arte islâmica (cerâmica, numismática e joalharia).
De destaque ainda é o Castelo de Mértola, construção medieval, que culmina no morro com duas torres - a torre de menagem, foi construída em 1292 pelo primeiro Mestre da Ordem de Sant'Iago. Existem alguns torreões amparando muralhas, em grande parte obra de mouros, mas com muita silharia romana. Também de referir a Igreja de Nossa Senhora da Anunciação, matriz de Mértola, dos séculos XI-XIII e que sofreu alterações no século XVI, em estilo manuelino e renascentista.
Destaca-se ainda o Santuário de Nossa Senhora de Aracelis ou Araceles e o património mineiro, como o porto de escoamento do Pomarão, o bairro dos mineiros e as suas infraestruturas, que constituem marcos importantes da época de exploração mineira.

Tradições, Lendas e Curiosidades
O concelho é fértil em manifestações populares e culturais, sendo de destacar a festa de S. João, realizada a 24 de junho, a festa dos Passos, no Domingo de Ramos; a feira mensal, que decorre na primeira quinta-feira de cada mês; a feira de abril, no último domingo de abril; e a Feira de S. Mateus, realizada no último domingo de setembro.
No artesanato, são típicos os trabalhos de tecelagem de mantas de farrapos, de linho, de olaria, as miniaturas de madeira e a ourivesaria.
Como instalação cultural, merece referência o Museu Arqueológico de Mértola. Este museu está organizado em diversos núcleos, consoante os períodos dos achados:
1. Núcleo Romano (Edifício da Câmara Municipal). Achados arqueológicos do período romano, incluindo estátuas, pedras tumulares, vasos, etc.
2. Basílica Paleocristã (Rossio do Carmo). Um dos mais importantes edifícios religiosos do seu género em toda a Península Ibérica, esta igreja data provavelmente do século V e reúne a mais importante coleção lapidar de toda a bacia do Mediterrâneo referente aos séculos V e VI. Era um local de doutrina e culto cristãos, onde eram enterrados os fiéis.
3. Núcleo Islâmico (Rua da Igreja). Epigrafia, joias, objetos de metal, fragmentos arquitetónicos e uma das mais importantes coleções de cerâmica islâmica do mundo (séculos IX-XIII).
4. Núcleo do Castelo de Mértola. Elementos arquitetónicos do período visigótico.
5. Núcleo de tecelagem tradicional.
Como curiosidade, de salientar uma passagem de José Saramago, escritor contemporâneo, na sua obra Viagem a Portugal, relativa à paisagem de Mértola: "(...) Depois de S. Marcos da Ataboeira começam a ver-se ao longe duas altas elevações, Alcaria Ruiva a maior, tão bruscamente levantada que, a olhos habituados a planície, parece artificial. É aí que a transformação se torna brusca: o mato substitui as terras cultivadas, as colinas encavalam-se, os vales tornam-se fundos e obscuros. (...)"

Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor primário, com a agricultura, pecuária e apicultura, seguidas do secundário, com as indústrias de carpintaria, móveis, ouriversaria, tecelagem, serralharia civil, construção civil e panificação. No setor terciário, destaca-se a hotelaria, atividade ligada ao turismo.
Apesar da sua importância, a agricultura ocupa somente uma área de cerca de 3% da área concelhia, destacando-se os cultivos de cereais para grão, prados temporários e culturas forrageiras, frutos secos, pousio, olival e prados e pastagens permanentes.
A pecuária tem também alguma importância, nomeadamente na criação de ovinos, aves e suínos.
Grande parte dos terrenos concelhios, cerca de 12 001 ha, corresponde a área florestal.
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