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mudança social

A mudança social dá-se quando se alteram as estruturas básicas que compõem um grupo social ou uma sociedade. A. Giddens refere as duas tentativas gerais mais conhecidas de interpretar a mudança social: o evolucionismo social e o materialismo histórico. Ambas veem a mudança social derivando principalmente da forma como os seres humanos se relacionam com o meio ambiente material.
O materialismo histórico surge com Marx e Engels e, segundo esta teoria, as sociedades evoluíam, fundamentalmente, devido às mudanças verificadas ao nível da infraestrutura económica ou interação com a superstrutura. Para Marx, "todas as sociedades assentam numa base económica (a infraestrutura) e as mudanças nesta tendem a comandar as alterações na superstrutura (instituições políticas, legais e culturais)" (Giddens, Sociologia, 1997). A luta de classes assumia aqui o papel de motor da História. A mudança dava-se através de processos de transformação social profundos, que são as revoluções. A teoria do evolucionismo, apresentada por H. Spencer (inspirada na teoria da evolução das espécies), considerava que, através da lei de evolução universal, as sociedades passavam por fases ou etapas até atingirem o nível de civilização alcançado pela sociedade ocidental.
Desde logo, deve fazer-se uma distinção entre evolução social e mudança social. "A evolução social é o conjunto das transformações sofridas por uma sociedade durante um período longo" (Rocher, Sociologia geral - A organização social, 1989). Diz respeito a tendências seculares ou gerais na marcha da História. "A mudança social consiste em transformações observáveis e verificáveis em períodos de tempo mais curtos. [...] Além disso, a mudança social está mais localizada geográfica e sociologicamente: duma maneira geral é possível observá-la numa área geográfica ou num quadro sociocultural mais limitado que a evolução social." (Rocher).
Podemos enunciar quatro características sobre a mudança social, segundo Guy Rocher:
- trata-se de um fenómeno coletivo, de modo a implicar uma coletividade ou um setor apreciável desta; deve afetar as condições ou as formas de vida;
- deve ser uma mudança da estrutura, de modo a ser possível observar uma modificação
da totalidade ou de certos componentes da organização social;
- supõe a possibilidade da sua identificação no tempo. Pode dizer-se que é a partir desse ponto de referência que houve mudança e o que é que mudou;
- toda a mudança social tem de dar provas duma certa permanência; as transformações observadas não devem ser efémeras ou superficiais.
Definiremos, então, a "mudança social como sendo toda a transformação observável no tempo, que afeta, duma maneira que não seja provisória ou efémera, a estrutura ou funcionamento da organização social de uma dada coletividade e modifica o curso da sua história" (Rocher).
Existe também uma inter-relação entre o plano social e o plano cultural, de modo que, quando falamos em mudança social, estamos, simultaneamente, a falar em mudança cultural. Deste modo poderíamos diferenciar as duas: a mudança social será a transformação inerente às relações entre as pessoas e a mudança cultural envolve meios materiais, técnicos, ideias, usos, costumes, etc. "Quase todas as mudanças importantes envolvem aspetos sociais e culturais. Na prática, portanto, raramente a distinção é muito importante; muitas vezes os dois termos são usados alternativamente. Às vezes usamos o termo mudança sociocultural para abranger as mudanças de ambas as espécies" (Horton e Hunt).
As situações de mudança social são tão diversificadas quanto os seus fatores e condições o são. Daí que cada caso concreto deva ser analisado na sua especificidade. No entanto, podemos incluir nos fatores de mudança social, de uma forma genérica, fatores naturais, demográficos, económicos, tecnológicos e socioculturais (nestes últimos temos, como exemplo, a descoberta, a invenção e a difusão).
Guy Rocher define as condições de mudança como sendo "elementos da situação que favorecem ou desfavorecem, encorajam ou atrasam a influência de um ou vários fatores de mudança [...] permitindo que os fatores exerçam a sua influência ou, pelo contrário, abafem a ação dos fatores" (Rocher). Por exemplo, determinada perceção que os trabalhadores têm de uma empresa, ou do seu chefe, podem constituir condição favorável ou não, face à implantação de novas tecnologias.
Por outro lado, são as pessoas, os grupos, as associações que introduzem a mudança, a apoiam, a favorecem ou se lhe opõem, constituindo-se, deste modo, os agentes da mudança. Podemos apontar os seguintes: os líderes e as elites, os movimentos sociais, os grupos de pressão e os grupos de referência, os meios de comunicação social. "São os atores e os grupos, cuja ação é animada por fins, interesses, valores, ideologias, que têm impacto sobre o devir duma sociedade" (Rocher).

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