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Museu de Arte Romana

Projetado pelo arquiteto espanhol José Rafael Moneo Vallés e construído entre 1980 e 1986, o Museu de Arte Romana em Mérida procura requalificar o tecido onde se implanta através de grande sobriedade formal e contenção volumétrica que contrastam com a monumentalidade do espaço interior onde se tornam evidentes as referências à tradição construtiva da cultura romana.
A cidade romana de Mérida, uma das mais importantes do império ficava no cruzamento das duas principais estradas da Península. Foi dotada de grandes equipamentos como teatros, aquedutos e pontes. O Museu Nacional de Arte Romana, construído para albergar as peças descobertas com as escavações desenvolvidas no espaço urbano, situa-se precisamente, no limite da antiga cidade, junto às ruínas do teatro e do anfiteatro que se contam entre os mais interessantes vestígios romanos de Espanha.
O Museu Nacional de Arte Romana procura juntar as ruínas contidas nesse lote com um edifício evocativo de construção em tijolo. A sua implantação preenche todo o lote, procurando alinhamentos na envolvente imediata por forma a rematar o quarteirão com uma composição volumétrica dinâmica introduzida pela justaposição de volumes simples mas assimétricos.
A entrada do museu, simbolicamente afirmada pela grande porta rematada por um arco, processa-se através de um edifício relativamente autónomo que contém também o núcleo administrativo, escritórios, oficinas e armazéns.
Uma passagem suspensa que passa por um pequeno pátio, conduz à zona expositiva. A dinâmica do espaço interior contrasta totalmente com a imagem sóbria e neutra do exterior. Espaços de diferente tamanho e carácter articulam-se em sucessão paralela e são atravessados por uma nave alta. Do lado esquerdo definem-se uma série de nichos e do lado oposto, os corredores contêm vários pisos de betão. O tema recorrente na arquitetura espanhola da sucessão de paredes rasgadas por arcos em solução repetitiva parece ter sustentado esta tipologia que se aproxima também de algumas das pesquisas das correntes neoracionalistas, nomeadamente do movimento italiano Tendenza. Estas paredes, construídas em betão e revestidas por tijolo romano, são rasgadas por aberturas rematadas por arcos de várias dimensões que ligam plataformas em vários níveis onde se pode expor objetos de mais pequena escala, como cerâmicas, joias e mosaicos.
A cobertura contém lanternins de iluminação que complementam as janelas abertas nas paredes exteriores. O resultado é um espaço relativamente amplo, alto e luminoso, unificado pelo sábio revestimento de tijolo que introduz um inusitado vigor plástico e estrutural. Esta textura acentua o constraste com as peças de mármore expostas
Sob esta grande sala, uma série de arcadas e pilares com espaçamentos de seis metros pousam simplesmente sobre os vestígios arqueológicos aqui encontrados - ruas e muros da cidade romana - que podem assim ser lidos na globalidade enquanto resíduos de uma civilização que o museu procura homenagear e representar.
Tipológica e construtivamente o edifício estabelece um conjunto de referências com alguns temas fundamentais da arquitetura romana e cria uma ordem formal forte e sóbria que se afasta do formalismo gratuito pós-modernista de raiz academicista, numa leitura crítica das possibilidades expressivas e construtivas tradicionais. Esta aproximação, de sinal eclético, ao projeto permite relacionar o museu com uma envolvente mais vasta, não só geográfica como diacronicamente, na evocação da herança cultural romana, substracto da arquitetura espanhola.
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