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Nações e Revoluções (1815-1832)

O período de conturbadas políticas revolucionárias tem uma data bem definida: o Congresso de Viena entre 1814 e 1815 e que reuniu 216 chefes de missões diplomáticas, vários dignitários e seus representantes. Após a derrota das forças napoleónicas, os soberanos vencedores pretendem restaurar o equilíbrio de poderes procedendo à fixação de uma nova ordem europeia. Ao Reino Unido cabia a tarefa de vigiar a manutenção desse equilíbrio como potência, de forma a que a França abandonasse possíveis novos desejos de expansão. Os reinos vencedores foram os grandes beneficiados. Procedeu-se à repartição dos territórios sem ter em conta os sentimentos dos povos afetados por essa partilha: os polacos pulverizaram-se pela Rússia, Áustria e Prússia; os belgas ficaram sob o poder dos holandeses; os lombardos e venezianos sob a alçada do imperador da Áustria; os alemães criaram uma Confederação Germânica (junho de 1815), congregando 39 Estados, cujo membro mais importante era a Prússia. Outros Estados estabeleceram as suas fronteiras: o Reino dos Países Baixos formava-se com as antigas Províncias Unidas, com a Bélgica e o grão-ducado do Luxemburgo; a Confederação Helvética, que se manteve neutral, ficou com mais quatro cantões: Genebra, Basileia, Neuchatel e Valais; o Reino de Piemonte-Sardenha incluía Nice, Saboia e a antiga república de Génova. A Rússia conservou a Finlândia e a Bessarábia e anexava o ducado de Varsóvia, que tornava o czar vizinho da Confederação Germânica. A Prússia abandonava o domínio polaco mas ganhava a Pomerânia sueca, o Norte da Saxónia, a Vestefália e a maior parte das regiões da Renânia. A Áustria renunciava à Bélgica mas anexou a Lombardia, Veneza (formavam o reino lombardo-veneziano), a Ilíria, a Dalmácia, o Tirol e Salzburgo. A Itália ficava dividida em seis Estados (Estados Pontifícios, reino de Nápoles, ducado da Toscânia, reino de Piemonte-Sardenha, ducado de Parma e ducado de Modena). Espanha e Portugal voltavam à condição que tinham antes da invasão napoleónica. A Suécia conservava a Noruega. A Inglaterra conservava algumas colónias francesas e holandesas e bases navais, que reforçavam o seu poder marítimo mercantil. À França era-lhe reconhecida a fronteira de 1792, ratificando o Tratado de Paris (maio de 1814). Em 1815 procedeu-se a duas alianças: a Santa Aliança, que unia a Áustria, a Prússia e a Rússia num compromisso permanente de assistência mútua, e a Quádrupla Aliança, que reunia os três anteriores mais a Grã-Bretanha contra um eventual perigo do avanço francês (em 1818 esta aliança acabou por se estender à França). Embora se tivesse acordado a partilha, constatou-se uma natural competição entre a Rússia, a Prússia e a Áustria pelo domínio da Europa central, o Congresso de Viena e o grande obreiro da nova Europa, o príncipe Metternich, tinham alcançado os seus objetivos, que apesar de se cimentarem sobre o poder autoritário dos soberanos, mantiveram um certo clima de paz entre Estados.
De imediato os soberanos defrontaram-se com dois problemas de certa forma decorrentes desta reorganização: o movimento dos liberais, que procuravam fazer-se representar, e o movimento de patriotas, que proclamavam o direito dos povos de formar nações. Ainda como consequência do desenho das novas fronteiras, a Prússia formou rapidamente a unidade alemã, a unidade italiana foi também iniciada e a Áustria deixava o seu lugar de potência que até então ocupava. Uma outra dificuldade se apresentava, pois, embora os países se tivessem unido na restauração de uma Europa monárquica, não havia, entre eles, coerência ideológica que oscilava do Absolutismo às práticas constitucionais. Em alguns Estados fortalecem-se os ideais liberais como no caso inglês e francês, onde tinham um certo peso. As restantes monarquias reforçaram os meios do Estado com a centralização da administração, como ocorreu na Prússia e na Áustria, cujos funcionários eram recrutados nas camadas aristocráticas. Se num primeiro momento a Rússia não aceitou o liberalismo, com as reformas decorrentes do governo do czar Nicolau I (1825) houve uma adesão às correntes liberais europeias por parte dos altos escalões da sociedade.A Europa pensava radicalmente de uma forma diferente. O liberalismo político e económico esforçava-se por anular o antigo regime e o despotismo e a nação passou a identificar-se com a vontade coletiva, possível com igualdade jurídica, que garantia a liberdade individual.O nacionalismo é também outra ideia que jamais saiu do horizonte dos homens do século XIX o ideário político é feito das tradições, língua e território, é um instrumento para obter a independência política de um povo e é o mesmo que liberdade ou manutenção de tradições e da ordem social (o nacionalismo alemão incarna uma outra ideia: a nação nasce inconscientemente no espírito dos povos e manifesta-se através da língua, costumes e religião e transmite-se através do folclore. A unificação teria de assentar sobre um Estado forte e a primeira medida foi a união aduaneira Zollverein que abriu caminho a todo um processo que teve à sua frente a figura de Bismarck).
Nascia uma Europa romântica que se coadunava com o liberalismo e que pugnava pela emancipação dos povos. Dois dos exemplos mais eloquentes desta atitude foram o apoio à luta do povo grego face à opressão otomana e a revolução de 1830 (as Três Gloriosas) em França contra Carlos X, que uniu liberais e patrióticos. No entanto, eram patentes algumas contradições: os Estados libertavam apenas os povos que não ensombravam o seu poder em 1832 a Grécia liberta dos otomanos fica sob a alçada do soberano alemão, mas ao mesmo tempo ignorou-se o facto de o czar Nicolau I ter esmagado a revolta dos polacos em Varsóvia, em 1831.
A breve trecho os movimentos liberais e patrióticos desembocaram frequentemente em agitação social, destacando-se os casos de Espanha, de Portugal, da Itália (movimento organizado pelos maçónicos carbonari) e da Alemanha (o movimento nacionalista aspirava à liberdade da entidade coletiva possível com um Estado forte). As insurreições ocorriam de forma generalizada por vezes com algum sucesso mas noutras ocasiões os diversos soberanos reprimiram-nas: no Sul da Alemanha pôs-se termo aos movimentos universitários e intelectuais que desejavam a liberalização e a unidade nacional através de uma associação geral, a Burschenschaft, extinta em 1820; em Nápoles foi necessária a intervenção do exército austríaco (1821); em Espanha verificaram-se vários episódios liberais mas, com a ajuda da França, restabeleceu-se o poder de Fernando VII; em Portugal viviam-se momentos conturbados entre liberais e absolutistas, destacando-se a revolução liberal no Porto (agosto de 1820); os gregos sublevavam-se em março de 1821, auxiliados pelas grandes potências; a Revolução de julho de 1830 na França levou Carlos X a abdicar sendo substituído por Luís Filipe, rei burguês, que passou a reinar com uma Carta Constitucional revista, ação que desencadeou o movimento europeu; a revolução burguesa belga (1830), que pretendia o respeito da lei fundamental e a separação administrativa face ao rei da Bélgica, foi uma consequência do movimento anterior (inclusivamente foram ajudados material e diplomaticamente pelo rei francês no seu processo de independência); em Varsóvia (1830) também ocorreram revoltas que, no entanto, foram esmagadas pelo czar russo; a Itália é marcada por vários movimentos entre 1831 e 1832, que passaram de liberais a conservadores, destacando-se nestes últimos o conde de Cavour (em 1831 surge a organização clandestina A Jovem Itália de Giuseppe Mazzini, que apelava à insurreição popular, mas esta desaparece rapidamente; no Sul da Itália surgiram sociedades secretas donde emergiram os «camisas vermelhas» recrutados por Garibaldi, que viria a ter uma importância crucial na unificação anos depois); o reino grego alcançava a sua independência, ratificada na Convenção de Londres de 1832.
O início do século foi fértil em manifestações que eram fruto das novas aspirações dos povos e terá o seu seguimento na consolidação das nacionalidades ao longo de todo o século XIX, com natural destaque para os casos alemão e italiano.
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Como referenciar este artigo:
Nações e Revoluções (1815-1832). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-05-20].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$nacoes-e-revolucoes-(1815-1832)>.
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Tema(s): História, Geografia, Ciências Sociais e Humanas
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