Norberto de Araújo
Jornalista e escritor português, Norberto Moreira de Araújo nasceu a 21 de Março de 1889, em Lisboa. Cedo mostrou apetência para as Letras. Em 1904, entrou como aprendiz na Imprensa Nacional, frequentando, posteriormente, o Curso Superior de Letras e, em 1916, veio a ingressar na redacção de O Mundo
, mudando-se, passado um ano, para o jornal A Manhã
, de que chegou a ser co-proprietário.
A sua intensa actividade jornalística levou-o a ser jornalista do Diário de Notícias
, do Século da Noite
e do Diário de Lisboa
em que se manteve até morrer, a 25 de Novembro de 1952, como redactor principal. Aqui, através de um estilo de escrita incisivo e vibrátil, iniciou toda uma etapa de renovação nos processos jornalísticos. A sua grande originalidade reside na facilidade com que disserta sobre qualquer matéria. Não tem um estilo invariável, um estilo diferente para cada assunto. Ficou célebre a sua rubrica no Diário de Lisboa
, "Páginas de Quinta-feira", onde deambulava pelas mais diversas áreas - quer fossem sínteses de arte, política, casos de rua, comédia burguesa, cultura, etc.
Versátil e laborioso, Norberto de Araújo fez reportagens de notável projecção como, por exemplo, duas viagens presidenciais, uma com António José de Almeida ao Brasil, e a outra com o general Carmona a Espanha. Em 1925, ano de ouro da comemoração de Santa Teresinha, desloca-se a Roma. Assiste ao julgamento do Angola e Metrópole - o caso Alves dos Reis, à visita da rainha D. Amélia ao Panteão de S. Vicente e mais tarde, iniciou uma série documental, intitulada "Como se trabalha em Lisboa?".
A par da actividade como jornalista, Norberto de Araújo manteve, intermitentemente, a sua actividade literária - 31 volumes publicados - que se repartiram pelos mais diversos campos, desde os livros puramente técnicos sobre artes gráficas, tal como Da Iluminura à Tricomia
publicado em 1915, até ao teatro e à poesia. Foram levadas à cena as suas obras teatrais Dentro do Castigo
(1924), em que o pendor melodramático com certa ousadia é atenuado por um discreto intimismo, e Duas Mulheres
(1928) - peça representada nos 50 anos de teatro de Adelina Abranches. Na poesia, escreve odes românticas que comoviam principalmente as senhoras e que passaram à literatura com o nome de Miniaturas
(1920) e Vinha Vindimada
(1924).
A par da relevante carreira jornalística e da ampla obra literária, Norberto de Sousa é conhecido hoje especialmente como um olisipógrafo erudito, tendo-lhe concedido o munícipio de Lisboa a medalha de ouro da cidade. Autor do Inventário de Lisboa
, 1944/1955 (concluído por D. Pires de Lima), das "Legendas de Lisboa" e das "Peregrinações de Lisboa", esta obra é a mais compulsada. É de assinalar o extenso e profundo conhecimento que Norberto de Sousa tinha das fontes e dos estudos esclarecedores do passado de Lisboa, que o dá ensejo a descrições extensas das ruas, palácios e monumentos, templos, instituições e dos mais diversos episódios da vida citadina lisboeta.
Norberto Moreira de Araújo morreu a 25 de Novembro de 1952, em Lisboa.