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Ocupação de Angola

Nos finais do século XV, Diogo Cão efetuou algumas viagens que viriam a tornar-se de suma importância para Portugal, na medida que permitiram aos portugueses contactar com aquele que viria a ser o maior território português ultramarino.
As relações dos portugueses com os nativos começaram a ser estabelecidas ao mais alto nível local: o rei do Congo. Estas primeiras abordagens tinham como objetivo principal a cristianização da população deste território e o livre acesso aos produtos da região. Pacíficas desde a primeira altura, permitiram aos portugueses desenvolver a sua atividade, embora com alterações às primeiramente estabelecidas, uma vez que os territórios do Congo foram assolados por confrontos étnicos, obrigando a que novas relações e medidas fossem tomadas. Porém, esta nova situação mostrou-se benéfica para Portugal, uma vez que obrigou à sua afirmação, numa zona estratégica, relativamente a S. Tomé, ao Brasil e à Índia e rica em recursos minerais.
A ocupação de Angola que começou por ser ocasional acabou por se transformar numa ocupação dirigida e com fins lucrativos.
Uma vez perdida a ilusão de fazer prevalecer o domínio português, numa aliança com chefes autóctones cristianizados, iniciou-se a grande caminhada no sentido de Portugal manter os seus domínios e afastar toda e qualquer concorrência.
Em 1571, D. Sebastião cria a capitania de Angola a favor de Paulo Dias de Novais que é considerado como o seu primeiro governador. Esta donataria arrastou consigo a primeira tentativa portuguesa de delimitação e de reconhecimento aprofundado do território e dos recursos naturais. Uma vez esvanecida a ilusão das minas de prata de Cambambe, os portugueses depararam com uma realidade que acabou por lhes trazer enormes benefícios: os escravos. Foi assim que se iniciou o tráfico de escravos. Porém, a ocupação militar do território e o crescente tráfico de escravos obrigaram os portugueses a estabelecerem-se no território, dando origem ao aparecimento de povoações, à atividade comercial, à construção de fortalezas e à cristianização das populações nativas.
No século XVII, a supremacia portuguesa é posta em causa, quando o tráfico dos escravos se tornou numa atividade extremamente lucrativa, desejada por todas as nações, principalmente pela Holanda, estabelecida no Brasil, que tentou instalar-se em Angola, fazendo deste território um complemento da economia brasileira. Porém, Portugal consegue ultrapassar esta situação e, quando os holandeses conseguem dominar o litoral, decide afastar-se para o interior do território, uma vez que a sua vontade nunca foi a de abandonar a colónia, onde já tinha criado raízes. A resistência levada a cabo pelos portugueses em Massangano, na confluência do rio Cuanza com o rio Lucala onde, em 1582, Paulo Dias de Novais se tinha estabelecido e erguido uma fortaleza que deu origem ao presídio de Massangano, possibilitou a restauração deste domínio (1648), desta feita levada a cabo por Salvador Correia de Sá (1594-1688), reconquistando Luanda.
No século XVIII, Francisco Pereira Coutinho, homem de espírito aberto, dinâmico e conhecedor, desempenhou um papel importante, demonstrando que Portugal não estava só interessado no tráfico de escravos em Angola.
Com o advento do Liberalismo na metrópole e a propagação do sentimento antiesclavagista inerente a esta nova forma de pensamento, no século XIX, Angola sofreu inúmeras alterações, começando com a luta a favor da abolição da escravatura, que nem sempre foi fácil, na medida em que a economia assentava, em grande parte, no negócio de escravos. Sá da Bandeira desempenhou, neste sentido, um papel decisivo e, aos poucos, o tráfico foi desaparecendo, com a proibição da importação e exportação de escravos nas colónias portuguesas ao sul do equador (1836) e com a assinatura do Tratado com a Inglaterra para a abolição da escravatura (1842). Porém, a escravatura manteve-se até 1869, altura em que é decretada a extinção definitiva em todos os domínios portugueses. Com a abolição da escravatura, Angola entra numa nova época de desenvolvimento, em que a base da economia passa a ser dirigida para os recursos naturais e na convivência pacífica entre toda a população. Na segunda metade do século XIX, a política colonial levada a cabo pelas nações europeias, respeitante à delimitação das fronteiras e à paz nas diversas zonas da colónia, colocou Portugal e Angola numa posição nem sempre fácil de criar soluções. Só a política hábil de determinados políticos da metrópole, juntamente com militares no terreno, deu solução a estes problemas, destacando-se entre os governadores que estiveram presentes à criação da nova Angola Paiva Couceiro (1861-1944) e Norton de Matos (1867-1955), distinguindo-se este último, já na fase do Alto-Comissariado (1920), responsável por uma profunda transformação que visava a situação dos autóctones e dos colonos brancos e as estruturas viárias e respetivos meios de comunicação.

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