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operações de open-market

Numa economia de mercado, o comportamento das variáveis macroeconómicas fundamentais deriva das relações de forças estabelecidas nos mercados fundamentais, onde se encontram os mercados monetários. Estes mercados são assim frequentemente objeto de flutuações que potencialmente podem afetar de forma decisiva uma economia, designadamente no que concerne a variáveis como a taxa de juro, a inflação, etc. Neste contexto, assume especial relevância o papel das autoridades monetárias, cujo expoente é normalmente o banco central do país em causa (em Portugal é naturalmente o Banco de Portugal), embora em certas situações os governos também assumam papel relevante, facto normalmente considerado indesejável tendo em conta a necessidade de total independência política da entidade que regula os mercados financeiros e monetários. Os bancos centrais dispõem assim de instrumentos que utilizam para influenciar os referidos mercados de acordo com a política que definiram. Os principais instrumentos normalmente utilizados nesse sentido são: o redesconto (desconto de títulos na posse dos bancos comerciais, que entretanto já os haviam descontado a outros agentes); definição das regras de concessão de crédito por parte dos bancos comerciais; e operações de open-market.
Também designadas em português por operações em mercado aberto, as operações de open-market correspondem a uma técnica utilizada pelos bancos centrais para afetar a liquidez do setor bancário e, por consequência, do resto da economia. Mais concretamente, são desenvolvidas através da compra e venda de títulos públicos ou privados dos bancos centrais aos bancos comerciais, com o objetivo de, através da contrapartida em moeda, afetar o nível de disponibilidades financeiras líquidas destes. Assim, se um banco central deseja aumentar a liquidez de uma economia, procede à aquisição de títulos, fornecendo através da contraprestação em moeda um meio para que os bancos possam conceder mais crédito e assim injetar liquidez na economia; se, ao contrário, é intenção do banco central diminuir a liquidez do sistema bancário e da economia, procede à venda de títulos, retirando dos bancos comerciais a respetiva contraprestação em moeda, limitando assim a capacidade de estes concederem crédito aos restantes agentes económicos (empresas e particulares).
A negociação dos títulos no âmbito das operações de open-market é feita com base em taxas independentes das vigentes nos mercados financeiros e monetários, na medida em que este tipo de operações do banco central se insere dentro de objetivos específicos e conjunturais da sua política monetária global.
O historial de utilização da técnica de open-market por parte dos bancos centrais demonstra que a sua eficácia é por regra superior quando tem como objetivo a redução da liquidez do sistema bancário através da venda de títulos. Paralelamente, pode dizer-se que é por norma mais difícil o manuseamento desta técnica em períodos de recessão, na medida em que as tentativas de injetar liquidez na economia por parte dos bancos centrais pode chocar com uma baixa procura de crédito por parte das empresas e particulares junto das entidades bancárias.

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