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organização informal

Anterior à organização formal, refere-se ao conjunto organizado de três tipos de fatores presentes no funcionamento organizacional. Em primeiro lugar, implica as relações socioafectivas concretas, que englobam as relações de simpatia-antipatia e de confiança-desconfiança. Em segundo lugar, comporta as relações comunicacionais não formalizadas, isto é, privadas, espontâneas, sem referência ao status e papel social. Em terceiro lugar, refere-se à ação dos grupos primários não oficiais, também chamados grupos "panelinha", caracterizados por relações personalizadas e conhecimentos diretos e frequentes. A justaposição destes fatores regula a vida organizacional, ora facilitando, ora bloqueando a própria tomada de decisão. Pressupõe-se que toda a organização formal, expressa num organograma denotativo das relações de autoridade, comporta uma organização informal, não prevista e não controlável, considerada, afinal, a "verdadeira organização", onde confluem múltiplos sistemas de interação. O conceito foi tratado em especial pela Escola das Relações Humanas, nos anos 30 do século XX, que, contrariamente à gestão científica, atribuiu à dimensão informal um papel preponderante na realização dos objetivos organizacionais. Todavia, só a partir dos anos 50 a dimensão informal das organizações ganhou relevo explicativo de vários fenómenos da vida organizacional que convergem para um "sistema concreto de ação", devido, especialmente, ao desenvolvimento dos estudos relativos aos sistemas sociotécnicos, à disfunção do modelo burocrático, à génese de círculos viciosos e à cultura organizacional. A importância dada à organização informal vem a par de estudos sobre as relações de poder e de conflito no interior das organizações e sobre a função/disfunção do rumor. Neste plano, considera-se que a organização informal é o terreno de desenvolvimento das estratégias de poder que se sobrepõem, modelam e podem vir a deturpar a própria estrutura hierárquica de autoridade, na medida em que o ator, enquanto pessoa, é portador de uma margem de liberdade pronta a reagir contra o sistema, ideia tratada também por autores que se debruçaram sobre as organizações totalitárias, como Goffmam e Foucault.
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