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Os Dias da Serpente
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Da autoria de Joaquim Pessoa, assumindo, na esteira dos volumes de poesia publicados anteriormente, a sua condição de poesia de intervenção, tendo como arma principal de denúncia o humor e a sátira, as composições reunidas em Os Dias da Serpente exprimem uma lancinante reflexão sobre a missão do intelectual que age "numa sociedade/ que ainda não sabe o que quer", cheio de "convicções até ao desespero", acreditando que "tudo ainda depende de nós", plenamente consciente do limitado alcance da sua intervenção: "eu/ não abaterei nunca uma árvore com um verso/não farei nunca um pão de uma metáfora". Em versos torrenciais, a sátira social, política e literária recebe deste sentimento de impotência e de incompreensão face a uma humanidade e a uma nação que não reconhece nem se revolta contra a sua ignorância e miséria uma intensidade lírica, amarga e irónica: "E bato as esquinas levando a pederneira/ com que se acendem os poemas que alimentam as primeiras esperanças/ [...] e a preocupação de me dar/ desinventando mágoas repartindo alegrias/ como quem escreve um tratado de amizade / num país de vidro onde a dor está mais escondida/ que os ovos da codorniz no coração da erva." ("Face a Face")
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Como referenciar
Os Dias da Serpente na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$os-dias-da-serpente [visualizado em 2026-06-10 09:18:56].
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