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ourivesaria

A ourivesaria é a arte de trabalhar os metais nobres por meio de várias técnicas (filigrana, batido, cinzelado, burilado, torcido, repuxado, canelado...), podendo-se recorrer a materiais complementares como o marfim, a madrepérola, o coral, as gemas e a laca, entre outros. Deste modo estão também incluídas na ourivesaria a prataria, a joalharia e outros objetos feitos em materiais preciosos. Os técnicos que produzem estas peças denominam-se ourives da prata e do ouro, tendo estes últimos tido mais pujança ao longo dos tempos por o ouro ser tradicionalmente o material mais valorizado e, consequentemente, apetecido por todas as classes sociais.
A produção dos objetos de ourivesaria foi destinada tanto ao mundo civil como ao religioso. As peças sacras mais utilizadas ao longo dos séculos foram o cálice, as estantes de missal, o gomil e bacia de água para as mãos, a naveta, o turíbulo, a patena, a píxide ou cibório, as sacras, a concha de batismo, objetos para a Extrema-Unção como a âmbula dos Santos Óleos, as salvas, relicários, cruzes, castiçais, frontais de altar, lampadários, lanternas de altar, báculos, acessórios de imagens (resplendores, coroas) e os relicários. Nos objetos de uso civil destacam-se os serviços de mesa, de chá e de café, peças para iluminação e aquecimento (candelabros, castiçais, braseiras), peças para higiene e toilette (gomil, bacia da barba, escovas e pentes) e objetos de escrita. Tanto para um uso como para outro houve ainda uma extraordinária produção de peças de ornamento como tiaras, coroas, firmais, anéis, pulseiras, colares, brincos e broches.
O ensaiador testa a qualidade do ouro e da prata, retirando um pouco do material e deixando, nos objetos em prata portuguesa produzidos até cerca de 1850, uma linha em ziguezague. Uma vez averiguada a legalidade do material, o objeto era puncionado com a marca do ensaiador municipal, garantindo legalmente a peça. As contrastarias faziam as avaliações e colocavam na peça a sua marca (javali, por exemplo). Após a passagem pela contrastaria era a vez do ourives colocar a sua marca, sendo que os da prata constituíam a sua com iniciais e a dos do ouro podia constar tanto um símbolo ou desenho como também iniciais. No século XIX, em Portugal, começa a aparecer também a marca da casa comercial, em determinados objetos.
Da época castreja restam em Portugal os tesouros de Paradela do Rio e de Baralhas, por exemplo, onde se encontram peças como torques, braceletes e arrecadas de influência celta e tartéssica. As peças de ourivesaria das épocas românica, gótica e renascentista sofreram uma influência muito pronunciada da arquitetura contemporânea na sua manufatura – apesar de o mesmo ter acontecido em outras alturas da História, não foi tão acentuada como nas mencionadas –. Algumas peças portuguesas de destaque dos ditos períodos são o pré-românico Cálix de S. Geraldo (Tesouro da Sé de Braga), a cruz processional de D. Sancho I e os cálices do mosteiro de Alcobaça (românicos), o Tríptico da Natividade do Museu Alberto Sampaio de Guimarães (gótico) e a Custódia de Belém feita por Gil Vicente (época manuelina, início do século XVI). A partir do século XVI houve uma grande relação da ourivesaria com o Oriente e, progressivamente, as zonas onde os portugueses iam chegando. Assim, por exemplo, a Custódia de Belém foi elaborada com ouro de Quíloa, e ainda no reinado de D. Manuel vieram para a corte portuguesa ourives indianos. Do século XVI, destacam-se vários cofres de madrepérola e casca de tartaruga com filigrana e molduras em prata, assim como o conjunto de peças doadas pelo Padre André Coutinho, em 1527, ao Convento do Carmo da Vidigueira. No século XVII, as peças são simples, com alguma influência maneirista nas cartelas, além de possuírem decoração variada fitomórfica (folhas de acando, tulipas), figuras humanas e divinas, fitas entrelaçadas, carrancas, esmaltes, legendas e elementos heráldicos. No século seguinte, o Rococó impõe-se através das rocalhas, das volutas em C e S, dos festões florais, das "chinoiseries", das cartelas com representações heráldicas e das figuras fantásticas. O período neoclássico marca-se pelos canelados côncavos e convexos, pelos festões com panejamentos, folhagens e perlados, entre outros elementos que formam e decoram as peças de ourivesaria. O romantismo do século XIX impôs o uso de elementos revivalistas românicos, góticos, barrocos, neoclássicos e árabes. São de destacar a baixela dos viscondes de São João da Pesqueira, em estilo neogótico, e oito lanternas processionais da Casa Reis e Filhos do Porto, o lampadário da igreja dos Congregados do Porto e oito lanternas processionais da Santa Casa da Misericórdia da mesma cidade.

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