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Páscoa

O termo Páscoa deriva do aramaico Pasha, que em hebraico se diz pesach, com um significado discutível: pode ser "saltar", originalmente em referência a uma dança ritual; mas também a passagem do sol pelo seu ponto mais alto numa determinada constelação. No livro do Êxodo, no Antigo Testamento (Ex. 12,26-32) o termo refere-se à noite em que Javé matou os primogénitos do Egito e poupou ("saltou") as casas de Hebreus, cujas ombreiras e dintel das portas estavam pintadas com o sangue do cordeiro pascal. No entanto, para o Judaísmo a Páscoa, sua principal festa, comemora a libertação dos hebreus no Egito através da passagem do Mar Vermelho, conduzidos por Moisés (Ex. 12, 1-13). Javé terá dito então a Moisés: "Aquele dia será para vós um memorial, e vós festejá-lo-eis como uma festa em honra ao Senhor. Ao longo das vossas gerações, a deveis festejar como uma lei perpétua" (Ex. 12,14). Todavia, até à libertação do Egito, a Páscoa dos Hebreus era a festa dos cordeiros novos (com um ano), entre os pastores, e festa do pão novo, ou dos Ázimos, entre os agricultores. Por isso se dizia "comer a Páscoa" (Mt. 26,17). Só depois da escravidão no Egito é que se tornou a festa da libertação e a anunciação da libertação futura, impregnada de Messianismo, o vetor fundamental da religião judaica.
A Páscoa cristã celebra a ressurreição de Jesus no domingo após o dia 14 de Nisan, data da Páscoa judaica: é pois a memória do sacrifício de Jesus na Cruz, uma nova vítima pascal e da sua vitória sobre a morte pela ressurreição. Simbolicamente, Cristo, apresentado como o cordeiro de Deus, representa a nova Páscoa, e é o pão novo, que ourifica pelo seu sangue. Jesus, que era judeu, concilia assim as duas tradições judaicas do Antigo Testamento na sua pessoa, eixo central do Novo Testamento. Como a Paixão e morte de Jesus coincidiram com a Páscoa judaica, vários costumes e símbolos foram incorporados às tradições cristãs. Por isso S. Paulo, por exemplo, na sua Epístola aos Hebreus, afirma que rituais como a imolação do cordeiro são imagens de algo que afinal se verificou: o cordeiro de Deus, imolado em sacrifício, é o próprio Cristo, crucificado para expiar os pecados dos homens. Aqui está pois a síntese da Páscoa judaico-cristã.
Entre os cristãos, a Páscoa é comemorada no primeiro domingo após a lua cheia seguinte ao equinócio de março (dia 21). É por isso uma data móvel, que pode ocorrer entre 22 de março e 25 de abril. É precedida de quarenta dias de Quaresma (Quadragesima) e da Semana da Paixão.
No Ocidente a Páscoa tem perdido simbolismo, o que fez com que certos costumes da sua liturgia desaparecessem. Mas entre os cristãos ortodoxos, por exemplo, existiram desde sempre costumes pascais próprios e exclusivos, como a saudação "Cristo ressuscitou", entre os russos, com a resposta "Ressuscitou realmente". Na Península Ibérica, por seu lado, ainda subsistem costumes como o "enterro do Judas", hábito que a Igreja condenou e que consiste no "linchamento" simbólico de um boneco representando Judas Iscariotes em sábado de Aleluia. Em termos litúrgicos, os preparativos da vigília pascal entre os católicos subordinam-se a um esquema em que todos os simbolismos e temas pascais são gradualmente apresentados. Assim, logo em novembro, começa-se a preparar os fiéis para a Páscoa, com instruções sobre os sacramentos, surgindo depois a Quaresma como uma forma de preparação penitencial. No domingo anterior à Páscoa, celebra-se os ramos, festa alusiva à entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, ovacionado por uma turba de gente que alguns dias depois o haveria de condenar e ver crucificado como um mero criminoso. O sacrifício de Cristo na Cruz é recordado na sexta-feira da Paixão. Desde 1951, por ordem de Pio XII, a missa de sábado de Aleluia é celebrada à meia-noite, na passagem para o domingo da Ressurreição.
Entre os cristãos protestantes, as celebrações da Páscoa têm particular incidência no sábado, ponto culminante de um conjunto de cerimónias religiosas iniciadas no domingo de ramos e que se prolongam por toda a semana.

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