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Peru

Geografia
País da América do Sul. Banhado a oeste pelo oceano Pacífico, faz fronteira com o Equador, a norte, a Colômbia, a nordeste, o Brasil, a leste, a Bolívia, a sudeste, e o Chile, a sul. Abrange uma área de 1 285 220 km2. As cidades mais importantes são Lima, a capital, com 8 380 300 habitantes (2004) na área metropolitana, Arequipa (865 100 hab.), Trujillo (752 100 hab.) e Chiclayo (620 900 hab.).
Sob o ponto de vista do relevo, o Peru apresenta uma planície costeira muito estreita, à qual se segue (com uma orientação noroeste-sudeste) a cadeia montanhosa dos Andes. É na parte intermédia dos Andes que se desenvolve um extenso planalto a que se dá o nome de altiplano. Ultrapassados os altos cumes andinos, com mais de 6000 m, as altitudes começam a diminuir, até se atingir a planície da Amazónia.

Clima
O clima do Peru é bastante diversificado, sofrendo a influência de inúmeros fatores, dos quais se destacam: a latitude, as correntes marítimas e a altitude. A faixa costeira é muito árida, especialmente no Sul, uma das áreas mais secas do mundo. O altiplano é também muito seco mas a neve dos cumes montanhosos, quando funde, permite a afluência de água, fundamental à prática da agricultura. No Nordeste do Peru, mais chuvoso e com temperaturas bastante altas durante todo o ano, o clima passa gradualmente a tropical húmido, permitindo o desenvolvimento de florestas.

Economia
A economia do Peru baseia-se na indústria, nos serviços, na agricultura, na pesca e na exploração mineira. O país é extremamente rico em recursos minerais, especialmente em ouro, prata, cobre, ferro, fosfatos e manganésio. Também tem grandes depósitos de petróleo e de gás natural. As culturas dominantes são a cana-de-açúcar, a batata, o arroz, o milho, a banana, a mandioca, o algodão e o café. Os abundantes recursos pesqueiros no Pacífico têm contribuído para o desenvolvimento do setor da pesca. A indústria é dominada pela produção de cimento, têxteis, aço, televisões, produtos alimentares, bebidas, pneus, produtos químicos industriais e motores para veículos. As exportações incluem o cobre, o zinco, o chumbo, o peixe e o petróleo. Grande parte das importações são constituídas por produtos alimentares e por componentes para a indústria. Os parceiros comerciais mais importantes são os EUA, o Japão, o Brasil e a Colômbia.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 1,2.

População
A população era, em 2006, de 28 302 603 habitantes, o que correspondia a uma densidade de aproximadamente 21,73 hab./km2. Contudo, a real distribuição da população é bastante heterogénea. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 20,48%o e 6,23%o. A esperança média de vida é de 69,84 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,752 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,734 (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 37 487 000 habitantes. As principais etnias são a quíchua (47%), a mestiça (32%) e a branca (12%). A religião com maior expressão é a católica (93%). As línguas oficiais são o castelhano, o quíchua e o aymara.

História
O explorador espanhol Francisco Pizarro chegou ao Peru em 1527 e, cinco anos depois, conquistou o Império Inca com um pequeno exército. No ano seguinte, matou o rei Atahuallpa. A Espanha dominou o território durante trezentos anos. Em 1821 a independência do Peru foi proclamada e, em 1836, o general Andrés Santa Cruz uniu o país à Bolívia, criando a Confederação Peru-Bolívia. Esta ligação durou apenas três anos. Entre 1844 e 1862, o país viveu uma estabilidade política com a governação do general Ramón Castilla, que desenvolveu a educação pública, aboliu a escravatura e fortaleceu as forças militares. Em 1870, foi criado o Partido Civil que conseguiu tirar o poder dos militares, embora não tenha conseguido combater a depressão económica. Em 1879 o país entrou em guerra com o Chile mas, em 1884, saiu derrotado, o que piorou ainda mais a situação económica. O crescimento da dívida pública levou a que os credores formassem, em 1889, a Corporação Peruana, com o objetivo de ajudar à recuperação económica.
Em 1895 foi criado o Partido Democrático e Nicolás de Piérola foi eleito presidente. Depois de um período de estabilidade política e de desenvolvimento económico, Augusto Leguía y Salcedo, do Partido Civil, ganhou as eleições presidenciais e governou entre 1908 e 1912. Embora tenha sido eleito novamente em 1919, a sua popularidade entrou em declínio. Em 1930 Leguía foi destituído, depois de um golpe militar. O coronel Luis Sánchez Cerro, líder do golpe, tomou o poder em 1931 e governou até ser assassinado, em 1933. Foi sucedido pelo general Oscar Benevides que implementou o desenvolvimento económico. Em 1939 foi eleito Manuel Prado que, imediatamente, alinhou o país com a política norte-americana durante a Segunda Guerra Mundial.
Depois da guerra, em 1948, o general Manuel Odría tomou o poder e governou até 1956. Nesse ano, Prado foi eleito para a presidência pela segunda vez. Sucedeu-lhe, em 1963, Fernando Belaúnde Terry que aumentou os terrenos agrícolas, desenvolveu projetos de desenvolvimento comunitário e tentou acabar com o analfabetismo. Mas, em 1969, uma junta militar tomou o poder. As companhias comerciais estrangeiras foram nacionalizadas e as terras agrícolas foram expropriadas. Em agosto de 1975, outro golpe militar substituiu o regime anterior e abriu caminho para o regresso de uma administração civil, em 1980. Os governos civis eleitos nas décadas de 1980 e de 1990 foram confrontados com a inflação, com a elevada taxa de desemprego, com uma dívida externa gigantesca, para além da violência causada pelos grupos de guerrilha que utilizavam táticas terroristas, do aumento do tráfico de droga e das plantações de coca. Alberto K. Fujimori, eleito em 1990, sofreu várias ameaças e atentados da guerrilha, o que o levou a suspender a Constituição e a limitar os direitos políticos e as liberdades. A crescente oposição ao Governo e o medo de um golpe militar levaram Fujimori a unir-se aos militares, em 1992, a suspender a Assembleia e a saquear metade dos juízes do país, alegando que eles eram corruptos. Os ataques da guerrilha continuaram e, no mesmo ano, houve uma tentativa de golpe de Estado. Em 1994, Fujimori lançou um ultimato aos grupos guerrilheiros para se renderem no prazo de quatro meses.
Em 1995, ano da sua reeleição, desencadeou-se um grave conflito armado com o Equador que levou à intervenção dos Estados Unidos da América, do Chile, do Brasil e da Argentina na tentativa de arranjar uma solução para o problema. O acordo entre o Chile e o Equador foi assinado a 26 de julho.
Em 1997 a insatisfação pelas ações ditaturiais de Fujimori foi geral e levou à realização de manifestações de desagrado por parte dos cidadãos.
Quando em 2000 Fujimori declarou a intenção de se recandidatar pela segunda vez às eleições presidenciais, a oposição levou essa atitude como uma ambição desmedida pelo poder. Nesse mesmo ano foi pressionado a afastar-se da presidência, depois de ter sido acusado de corrupção, em parte devido à sua ligação a Vladimiro Montesinos, ex-chefe dos serviços secretos peruanos, procurado também por corrupção e pelo envolvimento numa série de escândalos.
Depois de se refugiar no Japão, declarou o seu afastamento da presidência do país.
Em junho de 2001, Alejandro Toledo, chamado pelo povo "El Cholo", pelo facto de ser mestiço, formado em Economia na Universidade de Harvard, venceu as eleições presidenciais.

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