Poesia palaciana
Designação que se atribui usualmente à poesia legada pelo Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, dado o seu local de produção: a corte. Desenvolvida por e para cortesãos, esta arte de trovar entra, de acordo com o prólogo de Garcia de Resende, no conto das "muytas cousas de folguar e gentylezas", assumindo uma função lúdica e de convívio social. Destinada a acompanhar os serões na corte, integra jogos, adivinhas, chacotas coletivas, processos jurídico-sentimentais, representações, e distingue-se formalmente pelo culto da engenhosidade, pela busca do virtuosismo versificatório, manifestados na exploração de acrósticos, enigmas, antíteses, jogos de palavras. Privilegiando a temática amorosa, esta arte de trovar é também o suporte de uma arte de amar herdeira do amor cortês, que reitera até ao infinito a dor de amar, a morte de amor, os paradoxos do serviço amoroso, numa linguagem poética abstrata, mais silogística que imagética. Primando pela variedade de temas e géneros, a poesia palaciana testemunha o gosto pela poesia satírica; integra o panegírico régio, sobretudo através do pranto fúnebre; a crítica social formulada muitas vezes em epístolas que opõem tematicamente a vida do campo aos constrangimentos da vida cortesã; e, em menor proporção, o louvor religioso.
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Poesia palaciana na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$poesia-palaciana [visualizado em 2026-06-09 16:01:00].
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