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pressuposição semântica

Relação de sentido entre duas proposições em que se P é verdadeira, Q também é verdadeira, mas se P for falsa, Q mantém-se verdadeira. A sua propriedade permanece mesmo quando se faz a negação da proposição. Os exemplos seguintes são exemplos do funcionamento da pressuposição semântica:

i) Afirmação: O polícia tem muita pena que a senhora tenha sido roubada.
ii) Interrogação: O polícia tem muita pena que a senhora tenha sido roubada?
iii) Negação: O polícia não tem pena que a senhora tenha sido roubada.
iv) Pressuposição: A senhora foi roubada.

Analisando as proposições, podemos constatar que estamos perante exemplos de implicação estrita, uma vez que a verdade de i) implica a verdade de iv). Porém, o que distingue a relação de pressuposição da relação de implicação estrita é que para a implicação estrita, se i) é verdade, iv) também é verdade, enquanto que para a pressuposição, iv) é sempre verdade mesmo perante a negação de i) (cfr. iii)) e a interrogação de i) (cfr. ii)). Ou seja, iv) é sempre uma proposição verdadeira independentemente da atitude proposicional que se tiver (negação ou interrogação).

Os estudos em semântica permitiram identificar as construções que desencadeiam pressuposições semânticas. Encontramos pressuposição semântica com:

a) predicados factivos (lamentar, ter pena, saber que; estar contente/ triste que; estar surpreendido);

b) verbos auxiliares de aspeto (voltar a, deixar de, continuar a)

i. O João deixou de fumar.
ii. Pressuposição: O João fumava.

c) frases clivadas ou encaixadas (com processos de foco sintático)

iii. Foi o Futebol Clube do Porto que ganhou o campeonato.
iv. Não foi o Futebol Clube do Porto que ganhou o campeonato.
v. Foi o Futebol Clube do Porto que ganhou o campeonato?
vi. Pressuposição: Algum clube ganhou o campeonato.

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