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psicologia do desenvolvimento

A psicologia do desenvolvimento é a ciência que foca os seus interesses na área do crescimento humano. Os especialistas, desta vertente da psicologia, procuram estudar e compreender os processos do desenvolvimento pré-natal (período que antecede o nascimento) e pós-natal (período que ocorre após o nascimento), bem como tentam investigar e estabelecer os princípios e as leis da maturação, ou seja, do desenvolvimento do nosso comportamento ao longo da vida.
No que diz respeito à maturação de todas as espécies que habitam a Terra, o ser humano é o que tem o crescimento e o desenvolvimento mais lento de todos. Pode-se dizer que o homem é uma espécie mesmo bastante lenta, por exemplo, no espaço de tempo que uma criança aprende a andar e a correr com equilíbrio suficiente, outras espécies atingem a plena maturidade, como é o caso dos ratos que, em apenas 15 dias, atingem a sua maturidade sexual.
Como qualquer outra ciência, apresenta uma vasta gama de estudos e investigações. O grande tema de tais estudos assenta, essencialmente, no "debate" sobre o que é que tem maior influência para um bom desenvolvimento humano. Alguns estudiosos apontam a hereditariedade (o que é transmitido dos pais para os filhos), outros o meio ambiente e outros referem o tempo (momento) em que a pessoa nasce, como principal fator para um bom desenvolvimento.
Um dos maiores defensores da hereditariedade foi Henry Goddard (um dos pioneiros dos estudos sobre a deficiência mental) que, em 1912, publicou um artigo sobre a família Kallikak (nome fictício). Martin Kallikak teve filhos de duas mulheres, uma era da alta sociedade outra era uma empregada de uma taberna. Do casamento surgiram descendentes que alcançaram grande prestígio (médicos, advogados, reitores, etc.), da relação amorosa com a amante, os descendentes tinham uma baixa condição humana sendo, a sua grande maioria, alcoólicos, ladrões ou prostitutas.
Para John Broadus Watson (1878-1958), defensor do meio ambiente, a criança não é mais do que um pedaço de barro que é moldado e trabalhado pelo meio ambiente em que ela se insere. Watson achava que um bebé podia ser moldado, através do uso do processo de condicionamento (descoberto pelo fisiólogo russo Ivan Pavlov), de modo a vir a ser qualquer tipo de adulto (trapezista, advogado, criminoso). A partir daqui escreveu uma obra (1913) acerca da sua experiência com um bebé de nove meses que ficou conhecido como o caso do bebé Albert.Konrad Lorenz, "pai" da etologia (estudo do comportamento animal, especialmente, no seu meio natural), levou a cabo uma experiência com gansos brancos (1935) para provar que o fator tempo é responsável pelas alterações do desenvolvimento do comportamento. Os gansos bebés seguiam o primeiro estímulo móvel que vissem logo após o nascimento e durante as primeiras horas de vida. No momento do nascimento quem estiver presente é quem é entendido como sendo a mãe para os bebés gansos.
As causas do desenvolvimento humano são múltiplas e complexas e podem não corresponder aos estudos realizados com os animais de outras espécies. Contudo, ele é entendido, pela grande maioria dos psicólogos do desenvolvimento, como o resultado da interação entre a hereditariedade, o meio e o fator tempo.
O desenvolvimento da criança começa antes do nascimento. Do momento da conceção em diante, o organismo humano atravessa os chamados estádios de desenvolvimento. São vários os autores que desenvolveram tais sistemas de estágios e, entre eles, destaca-se o psicólogo françês Henri Wallon (1879-1962), o famoso vienense Sigmund Freud (1856-1939) e, especialmente, o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), considerado o maior contribuidor para a psicologia do desenvolvimento.Piaget desenvolveu um sistema de estádios do desenvolvimento intelectual da criança e do adolescente (1955). Este sistema compreende três grandes períodos divididos em subestádios. O período da inteligência sensório-motora, que vai do nascimento até aos dois anos, é caracterizado como o período de adaptação ao mundo exterior. O segundo período é intitulado o período da preparação e da organização da inteligência operatória concreta e ocorre entre os dois e os sete ou oito anos. Nesta etapa a criança experimenta importantes mudanças ao nível do pensamento lógico, passa a ter uma representação mental das pessoas e dos objetos, adquire uma linguagem oral e, logo a seguir, aprende por exemplo, a classificar os objetos e a realizar operações matemáticas. Por último, o período das operações formais que acontece dos onze aos quinze anos. Caracteriza-se como o período das ideias, reflexões e projetos. O raciocínio da criança quase adolescente ou do recém-adolescente, procede por hipóteses e deduções.
O modelo teórico de Piaget continua a dominar a investigação em psicologia do desenvolvimento. Sem este psicólogo, ou melhor sem o conhecimento que ele nos trouxe, a investigação desta ciência estaria muito menos desenvolvida, não querendo isto dizer, que ela se reduz a Jean Piaget.

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