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psicossomática

A psicossomática é a ciência que estuda as doenças orgânicas com descarga no corpo, isto é, uma lesão de órgão ou sistema provocado por alguma disfunção do sistema nervoso.
Na psicossomática, pensa-se a realidade na sua unidade, considerando os aspetos biológicos e psicológicos. Interessa-se pelos aspetos de interação causa/efeito, a pessoa como um todo na sua perspetiva biológica e relacional, isto é, pensar a realidade na sua totalidade: a entidade biológica e a entidade psicológica.
O psíquico influencia o corporal, há um reflexo do psíquico no corporal, existe uma interligação e unidade dos aspetos relacionais biológicos e dos relacionais psicológicos.
Só há descarga no corpo quando a pessoa ainda não tem capacidade para pensar, quando não há mediação das pulsões pelo pensamento e ainda não há capacidade de simbolização. Assim, funciona à base de estímulo/resposta, em que a resposta é dada pelo corpo em forma de uma doença. As origens estão numa situação traumática vivida numa idade muito precoce (antes do pensamento). Foi algo que aprendeu nessa altura pré-verbal, em que se vê os efeitos mas não se vê a causa.
Para que uma doença possa ser designada como doença psicossomática, tem que existir lesão de órgão ou de sistema provocados pela incapacidade de elaboração das tensões psíquicas. Estas situações não são, infelizmente, na maioria dos casos, previsíveis. Não há nada na história do doente que permitisse saber qual o traumatismo e o único sintoma consiste numa certa incapacidade de imaginar. O sujeito não sonha muito, não se lembra dos sonhos e não recorre ao imaginário, impossibilidade que vem da tenra idade em que surgem tensões nos quais o bebé não sabe ainda lidar e nível psíquico. Não é no adulto que tem psicossomática que falta fantasia mas na criança que esse adulto foi.
O primado da fantasia e da imaginação são determinantes da vida psíquica, têm uma importância enorme no aparecimento do símbolo como início da capacidade de fantasiar.
Estas doenças são consequência da inversão pulsional sobre o organismo. Os impulsos em vez de se descarregarem pelo comportamento sobre o exterior, são dirigidos para o soma. É um acting in, um ato orientado para dentro, o agir através dos órgãos internos. A maioria das doenças psicossomáticas resultam da inflexão da agressividade: enfarte, hipertensão arterial, artrite reumatoide, etc.
Sempre que o sofrimento psíquico não é suficientemente expresso a nível afetivo e ideativo, por emoções e pensamentos, comunicado em palavras e expresso em atos, a saúde física periga e o caminho para a doença está aberto.
Existem diversas áreas de doenças consideradas psicossomáticas, tais como:

- As doenças alérgicas que têm uma especificidade própria. O corpo produz anti-corpos que causam um excesso de reação. Por exemplo, o eczema, a asma, a febre dos fenos, a dermatite atópica e a urticária.
- Doenças autoimunes como, por exemplo, a diabetes, a doença de khron, a epilepsia, a alopecia (queda de cabelo) e a esclerose múltipla.
- Cancerologia - está provado que em diversos cancros, há uma componente psicológica e muitos deles surgem após uma depressão ou uma perda de alguém amado.

Segundo Sami-Ali, a doença psicossomática surge logo na altura da gestação e funciona mais tarde como um ressurgimento da altura do nascimento; há um recalcamento da função do imaginário na medida em que há uma prevalência à adaptação da realidade imediata e exterior. O que provoca o recalcamento é sempre um superego corporal de uma exigência tal, que toma conta da vida interna da pessoa nomeadamente dos seus ritmos espaço-temporais.
O problema, nestes casos, é a necessidade da pessoa de ser reconhecida pelo outro para se reconhecer a si próprio para poder fazer o seu reconhecimento da identidade corporal, como se fosse necessário existir para o outro, para se sentir que existe de facto.
Para Sami-Ali, existem situações de vida que determinam as doenças. A situação real da vida do individuo é assim essencial para o surgimento da doença, mais do que o funcionamento mental.

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