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Que verdade nos "contos e ditos"?








Que verdade nos "contos e ditos"?
Ao falarmos de "contos e ditos" estamos a falar da sabedoria e das crenças populares e informações que passam de boca em boca e às quais se acrescentam ou tiram pontos. Importa, pois, repor a verdade do muito que se vai dizendo acerca da alimentação.





Façamos então a análise de alguns desses "contos e ditos":

Há alimentos que não engordam. Engordar é o aumento da massa gorda no organismo. Esse aumento resulta do balanço positivo entre a quantidade de calorias ingeridas e a quantidade de calorias gastas. Todas as calorias que não são gastas vão acumular-se sob a forma de gordura. Os hidratos de carbono, os lípidos e as proteínas são os únicos nutrientes calóricos, ou seja, que fornecem calorias. Assim, todos os alimentos que contêm um ou mais desses nutrientes podem contribuir para o aumento de massa gorda. A água é o único alimento que não contém hidratos de carbono, lípidos ou proteínas, pelo que será o único alimento que, realmente, não engorda.
O álcool alimenta. Para além de água e de quantidades residuais de um ou outro mineral, as bebidas alcoólicas nada acrescentam de benéfico à nossa alimentação. Cada grama de álcool fornece 7 calorias e é por este motivo que o consumo exagerado de bebidas alcoólicas pode provocar o aumento de peso. O álcool etílico é uma substância nociva para o nosso organismo, razão pela qual este o degrada para o eliminar o mais depressa possível. Quando a quantidade de álcool no sangue é superior à capacidade que o organismo tem para o eliminar, sentimos os seus efeitos: euforia, desinibição, diminuição do controlo intelectual e físico... ou seja, atitudes e reações que nada têm a ver com a ideia de bem alimentado.
Comer entre as refeições é saudável. Há o hábito de só se considerar como refeições o almoço e o jantar. Deste ponto de vista, é saudável comer entre as refeições, ou seja, comer ao levantar, a meio da manhã, a meio da tarde e à ceia, desde que se respeite uma das regras de ouro da alimentação saudável: não passar mais de três horas sem comer. Porém, se comer entre as refeições é andar sempre a "depenicar como um passarinho" não é nada saudável. Por um lado, essa atitude vai resultar num excesso de alimentos ingeridos; por outro, não permite que o organismo se mantenha no seu ritmo normal de saciedade/fome o que vai causar habituação, permanecendo contínua a sensação de fome.

Uma maçã por dia mantém o médico afastado. Seria uma aproximação ao "elixir da juventude" se a maçã nos garantisse um bom estado de saúde. Infelizmente, a maçã, por si só, pouco garante se não estiver enquadrada num plano geral que vai da adoção de uma alimentação racional à prática de exercício físico. A maçã é um fruto e, como tal, é rica em água, vitaminas, sais minerais e fibras. Por isso, a mensagem é importante se percebermos que a maçã não se representa a si própria, mas surge como bandeira de um grupo de alimentos que são essenciais para quem deseja manter-se o mais saudável possível. Quatro a cinco peças de fruta são a dose diária recomendada.

A água engorda. A água pura não existe na Natureza porque, como é um excelente solvente, contém em dissolução vários sais minerais tais como o cálcio, o ferro, o potássio, o cloro e outros. Assim, água e sais minerais são os nutrientes que existem na água que nós bebemos. Só os hidratos de carbono, os lípidos e as proteínas são nutrientes calóricos, ou seja, capazes de fornecer calorias. Sem aporte calórico não é possível engordar, por isso a água é um alimento "inocente no crime do engorda".

Os alimentos sem aditivos são mais saudáveis. De um modo geral, quanto mais natural for um produto alimentar, mais saudável e saboroso será. Se se produzisse em pequena escala, cada família com a sua horta e os seus animais de criação onde não coubessem pesticidas, hormonas, rações... poderíamos obter alimentos naturais. Mas a realidade é outra: produz-se em grande quantidade e durante todo o ano; fazem-se as compras do mês e quer-se que os prazos de validade sejam grandes; em quantidade, os produtos saem mais baratos e até já nem há tempo para ferver o leite. Perante o modelo de vida atual não é possível viver sem determinados aditivos - como, por exemplo, os conservantes - mas podemos tentar evitar os produtos com aditivos que nada acrescentam ao alimento ou à sua conservação - como, por exemplo, os corantes.

A cenoura faz os olhos bonitos. A beleza é uma característica subjetiva que depende dos gostos e sentires de cada um. A principal função dos olhos é a visão, por isso, o que mais importa é que eles possam ver o melhor possível. A vitamina A ou retinol é fundamental para evitar a xeroftalmia - ou cegueira noturna. Esta doença caracteriza-se pela dificuldade de ver quando há menos luz. A vitamina A é lipossolúvel, ou seja, é transportada na gordura, particularmente na de origem animal. No entanto, o nosso organismo tem a capacidade de produzir retinol a partir de determinados pigmentos que existem nos vegetais de cor intensa, como a cenoura, o pimento ou o tomate.

Os espinafres dão força. O poder da televisão reflete-se também na criação de mitos alimentares. Poucas são as pessoas que não associam os espinafres a um, famoso e forte, marinheiro dos desenhos animados. Os espinafres são, como a maioria das folhas de vegetais verdes, ricos em ferro, fibras e vitaminas A e C e pobres em calorias. A ingestão adequada de legumes e outros produtos hortícolas é fundamental para uma alimentação saudável e contribui para o bom funcionamento do organismo, mas não transforma ninguém em "super forte".






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