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racionalismo

O racionalismo consiste em acreditar nas ideias inatas e no raciocínio lógico, através da razão. É, de certo modo, a própria filosofia desde a sua origem pois, de facto, a razão é a condição de todo o pensamento teórico. A filosofia constitui-se pelo reconhecimento da razão como a faculdade do conhecimento das coisas e do domínio de si.
O racionalismo muda de aspeto conforme se opõe a cada filosofia. Opõe-se ao pensamento arcaico pelo seu estilo, já que está atento à ideia e visa uma coerência inteligível. Opõe-se ao empirismo, tornando-se metódico, armando-se com a lógica e a matemática.
Toda a doutrina da razão se apoia em dois pilares: a experiência que nos é dada pelos sentidos é insuficiente para se poder atingir o conhecimento; o pensamento através da razão é capaz de atingir a verdade absoluta, pois as suas leis são também as leis que regem os objetos do conhecimento, tal como Hegel descrevia: "Tudo o que é racional é real e tudo o que é real é racional".
O racionalismo surgiu com os Eleatas e teve um papel central no platonismo, com a Teoria das Ideias de Platão, que distinguia o mundo inteligível do mundo sensível. Desenvolveu-se no século XVII, segundo o qual o paradigma do conhecimento era a intuição intelectual que Deus tem das coisas, e da qual os seres humanos experienciam através da matemática.
Descartes é o criador e impulsionador do racionalismo moderno. Ele preocupa-se com a investigação prévia do conhecimento. A dúvida corresponde a uma exigência da fundamentação das possibilidades do conhecimento.
Há uma vastidão imensa de ideias inatas (intuição). Estas são isentas de dúvidas, Descartes não recusa a existência de informações vindas pelos sentidos mas não pode ter por elas carácter de evidência pois são obscuras e confusas. Descartes admite nos seres humanos a existência de ideias factícias (imaginação). É classificado de racionalista inatista pois só as ideias inatas são garantia de certeza. No racionalismo, o edifício do saber constrói-se por dedução a partir das ideias inatas. Tem, como modelo, a matemática, que é raiz do modelo do funcionamento do conhecimento no ser humano.
Kant admite que as formas a priori de todo o conhecimento limitam as possibilidades da razão e distingue as duas fontes de conhecimento, sensibilidade e entendimento, em que a sensibilidade é limitada pelas intuições puras.
O racionalismo pode limitar-se a um aspeto da experiência humana: racionalismo moral (Rauh), racionalismo religioso (Feuerbach), racionalismo político (Montesquieu) e racionalismo estético (Valéry).
Com o desenvolvimento do pensamento experimental, o racionalismo tende a passar de metafísico a positivo. Em vez de incidir sobre a verdade concebida como um absoluto, recorre à experiência para controlar hipóteses que opõe aos grandes sistemas. O positivismo é a consequência natural de um racionalismo.
Nos nossos dias, o racionalismo é, de certa forma, um princípio segundo o qual a razão pode penetrar científica e filosoficamente o real, possibilitando aos homens normas de conduta e regras de ação.
Pode-se ainda distinguir, dentro do racionalismo, um racionalismo fechado, que luta contra a imaginação, e um racionalismo aberto, defendido por Gaston Bachelard.

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