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Raúl David

Escritor angolano, Raúl Mateus David nasceu a 23 de abril de 1918, na província de Benguela, na cidade da Ganda, Angola.
Terminou o ensino secundário no Seminário Menor do Sagrado Coração de Jesus, no Galangue.
Teve uma vida multifacetada, de funcionário público de profissão a feitor em fazendas do interior do país. O contacto com os trabalhadores destas fazendas permitiram-lhe o estudo e aprendizagem da língua Umbundu que vai utilizar com mestria nas suas obras, que se identificam por uma recorrente coabitação das línguas nacionais com o português. Ao fazê-lo, o autor tem o propósito de transmitir por escrito, com propriedade, as realidades oralizantes que vai registando.
De facto, homem empenhado e preocupado com a conservação das componentes culturais do seu país, Raúl David direciona a sua produção escrita ensaística e literária para o estudo de um passado remoto ou mais recente que são percebidos nos títulos dos seus livros. Conhecendo bem o passado colonial, assumindo-se, aliás, como um entre todos os que sofreram o peso da colonização, o autor testemunha, ao longo da sua obra, as injustiças, as desigualdades e a marginalização a que eram votados os filhos da terra. Com o afeto próprio de quem viveu e conviveu nos e com os mesmos tempos e espaços, Raúl David procura franquear as portas culturais de um povo, que embora uno vive na sua diversidade.
Exemplo deste testemunho é o seu livro Colonizados e colonizadores que o autor define, no prólogo, como um conjunto de "quadros da vida angolana", através dos quais pretende demonstrar, fundamentalmente ao seu povo, a riqueza da sua vivência, com defeitos e virtudes, enformada "em cenas de desnorteante, avara e ignaramente retidas na galeria inesgotável da (...) memória.".
Membro fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA), o autor desempenhou um papel importante em iniciativas de carácter cultural, nomeadamente no 2.º Encontro de Escritores de Literatura Infantil, organizado na ex-URSS, em 1979, e na 6.ª Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos, organizada em Luanda, no mesmo ano.
Despertando para a produção literária aos 45 anos de idade, a sua estreia editorial acontece apenas doze anos mais tarde, já em período de pós-independência.
É autor das seguintes obras: Colonizados e colonizadores (1974); Escamoteados na Lei; Poemas (1977); Contos Tradicionais da Nossa Terra(I) (1978); Narrativas ao acaso (1979); Contos Tradicionais da Nossa Terra (II) (1981) e Cantares do Nosso Povo, versões escritas de cantos e poemas em língua Umbundu (1988); Crónicas de Ontem para Ouvir e Contar (1989); Da Justiça Tradicional dos Umbundos (1997) - ensaio.
Como referenciar: in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [consult. 2014-12-21 04:44:34]. Disponível na Internet: