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Raul Solnado

Comediante e ator português de teatro, cinema, rádio e televisão, nascido a 19 de outubro de 1929, no bairro da Madragoa, em Lisboa. Faleceu a 8 de agosto de 2009, aos 79 anos, na sua terra natal. Iniciou a sua carreira artística aos 17 anos como ator amador na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, onde foi colega de José Viana, de Varela Silva e de Jacinto Ramos. O gosto pelo teatro levou-o a inscrever-se, em 1951, num curso noturno do Conservatório Nacional. A sua estreia como profissional foi feita a 10 de dezembro de 1952 no Maxime integrando o elenco do espetáculo Sol da Meia-Noite escrito por José Viana. Numa noite em que Vasco Morgado estava na plateia do Maxime, o empresário convidou-o para trabalhar no Parque Mayer. A sua primeira revista foi Canta, Lisboa! (1953) onde trabalhou ao lado de Laura Alves. Nos primeiros anos, fez a aprendizagem ao lado das primeiras figuras da revista da época, onde se incluíam nomes como os de António Silva, Irene Isidro, Vasco Santana, Teresa Gomes, João Villaret, Assis Pacheco e Manuel Santos Carvalho. Solnado passou também pela opereta, na altura já um género em decadência, integrando o elenco de Maria da Fonte (1953) e de O Zé do Telhado (1955). A estreia cinematográfica de Solnado fez-se numa curta-metragem de Ricardo Malheiro: Ar, Água e Luz. Seguiu-se um pequeno papel de detetive ao lado de Humberto Madeira em O Noivo das Caldas (1956) de Arthur Duarte. Em 1956, casou-se com a atriz brasileira Joselita Alvarenga, de quem se separaria em 1970. Deste casamento, nasceriam dois filhos, Alexandra e José Renato. Gradualmente tornou-se um dos atores mais promissores do panorama artístico nacional. Começou a protagonizar as suas primeiras revistas: Música, Mulheres e... (1957) e Três Rapazes e Uma Rapariga (1957). Depois de pequenos papéis em Perdeu-se um Marido (1957) de Henrique Campos e Sangue Toureiro (1958) de Augusto Fraga, fez o primeiro filme como protagonista: a comédia O Tarzan do Quinto Esquerdo (1958), também realizado por Augusto Fraga. Em 1958, deu os seus primeiros espetáculos no Brasil, país onde desfrutou de enorme popularidade e sucesso. De novo em Portugal, regressou ao Parque Mayer, desta vez ao Teatro ABC, para protagonizar a revista Vinho Novo (1959), ao lado de José Viana. Em 1961, enfrentou os seus primeiros problemas com a Censura: Solnado e Camilo de Oliveira são julgados por ofensas contra a Comissão de Exame e Classificação dos Espetáculos por terem representado falas que tinham sido abolidas pela censura. Em 1960, juntamente com Humberto Madeira e Carlos Coelho, tornou-se sócio da Companhia Teatral do Capitólio. Pelo seu desempenho secundário de sacristão no filme As Pupilas do Senhor Reitor (1961) de Perdigão Queiroga, foi agraciado com o Prémio SNI para Melhor Interpretação Masculina. Marcou presença num dos momentos mais emblemáticos do Cinema Novo português: foi o protagonista de Dom Roberto (1962) de José Ernesto de Sousa. Ao lado de Glicínia Quartin, Rui Mendes e Adelaide João, Solnado desempenhou João Barbelas, um pobre fantocheiro de rua que salva a sua amada do desespero, passando ambos a viver num mundo de esperança e de ilusões. O registo dramático de Solnado foi elogiado em todos os panoramas jornalísticos nacionais que glorificaram a versatilidade interpretativa do ator. Dom Roberto veio a ser o primeiro filme português a ser distinguido no Festival de Cannes com o Prémio da Jovem Crítica. Em 1961, Solnado atingiu o auge da sua popularidade com a rábula A História da Minha Ida à Guerra de 1908, representada pela primeira vez na revista Bate o Pé. A rábula seria mesmo transcrita para disco, tornando-se um fenómeno de vendas pouco usual para a época. Após uma discreta participação no filme O Milionário (1962), de Perdigão Queiroga, e depois de muitos sucessos revisteiros em Portugal e no Brasil, fundou, em 1964, o Teatro Villaret com uma Companhia própria. Aí protagonizaria sucessos de público como O Impostor-Geral (1965), Braço Direito Precisa-se (1966), Desculpe Se o Matei (1966), Pois, Pois (1967) e A Preguiça (1968). Juntamente com Fialho Gouveia e Carlos Cruz, entrou para a História da Televisão portuguesa, apresentando o programa Zip Zip (1969). Esta mistura de talk-show com números cómicos e musicais acabou por alcançar uma popularidade nunca antes vista, a ponto de o cancelamento do programa ter sido recebido com grandes manifestações de pesar e protesto. Após a Revolução do 25 de abril de 1974, filiou-se no Partido Socialista e optou por passar largas temporadas no Brasil, onde protagonizou o filme Aventuras de um Detetive Português (1975).
De volta ao seu país natal, encarnou as personagens principais das peças Isto é Que Me Dói (1978), Felizardo e Companhia (1978), Há Petróleo no Beato (1981) e SuperSilva (1983). Em palco, foi ainda ator convidado do Teatro Nacional D. Maria II (O Fidalgo Aprendiz, de Francisco Manuel de Melo, em 1988) e do Teatro Nacional de S. Carlos (O Morcego, de Strauss, em 1992), e teve também papéis de destaque em As Fúrias, de Agustina Bessa-Luís (1994), O Avarento, de Molière (1995), e O Magnífico Reitor, de Diogo Freitas do Amaral (2001).
Relativamente ao cinema e depois do seu regresso a Portugal, voltou a esta arte pela mão de José Fonseca e Costa num impressionante registo dramático de Inspetor Elias Santana em A Balada da Praia dos Cães (1987). Daí para a frente, para além das participações em palco já mencionadas, apostou sobretudo em trabalhos televisivos: ao lado de Armando Cortez e de Margarida Carpinteiro, protagonizou a sitcom Lá em Casa Tudo Bem (1988), participou nas telenovelas A Banqueira do Povo (1993) e Ajuste de Contas (2000) e no telefilme da SIC Facas e Anjos (2000) onde pôde realizar o velho sonho de vestir a pele de um palhaço.
Em 1991, lançou a biografia A Vida Não Se Perdeu. Foi também sua a ideia de criar a Casa do Artista, concretizada depois por Armando Cortez, Manuela Maria e Carmen Dolores, e inaugurada oficialmente em setembro de 1999.
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