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Renascimento Carolíngio

A obra levada a cabo pelos Carolíngios durante o império iniciado por Pepino, o Breve, quando eliminou os merovíngios em 751 e foi eleito rei pelos francos, designa-se por "Renascimento Carolíngio", sendo este período caracterizado pela confluência do purismo anglo-saxão, da tradição romana e das técnicas bizantinas. Seria Carlos Magno o obreiro da união de todo o Ocidente cristão, tendo sido sagrado imperador em 800. O império duraria até 843, quando aplicaram as disposições do tratado de Verdun, que o divide em três partes. A organização do império tanto por Pepino, o Breve, como por Carlos Magno teve como consequência um enorme desenvolvimento artístico, cujos aspetos mais interessantes se encontram na arquitetura e na pintura através de frescos e de iluminuras. As artes sumptuárias e a escultura em marfim atingem a máxima expressão. As balizas cronológicas apontadas para esta renovação cultural vão de 780 até às invasões dos Normandos em 887. No entanto, o seu reflexo vai muito para além daquela data, manifestando-se ainda nas reformas monásticas do século X.
Notou-se, então, uma verdadeira preocupação em elevar o nível intelectual e moral dos francos. Naturalmente que o clero teve um grande peso na construção da nova face cultural, com a criação de novas escolas catedralícias, monásticas e presbiteriais nas áreas rurais. Apesar de vocacionadas para a formação do clero, estas escolas eram igualmente abertas aos laicos que as quisessem frequentar. As escolas elementares dedicaram-se ao ensino das artes liberais, etapa fundamental de preparação para estudos mais aprofundados. Para atender às necessidades impostas pela reforma do ensino, Carlos Magno promoveu a vinda de professores estrangeiros que passaram a fazer parte daquilo a que se chamou "a academia do palácio", composta por italianos, irlandeses e anglo-saxões.
Tratou-se também de uma cultura renovada ao nível dos aspetos religiosos, tendo como principais centros Fulda, Luxeuil e Tours, onde os monges se empregaram nos seus scriptoria copiando a Bíblia, obras eclesiásticas ou livros clássicos como os de Virgílio, aos quais aplicavam um excecional trabalho de iluminura que muitas vezes ocupava a totalidade da página. Nestes trabalhos estão patentes influências clássicas, bizantinas ou irlandesas, nomeadamente no uso de grande quantidade de decoração composta por entrelacs. Foi uma renovação que experimentou um regresso à antiguidade e colocou os legados antigos ao serviço do cristianismo, preservando-os para as épocas posteriores. Fruto do esplendor alcançado, perdurou uma forma de escrita própria de um novo império - a carolina (ou carolíngia).
A cultura palaciana atingia o seu auge e as suas figuras mais representativas, para além de Alcuíno, foram Eginhard (conselheiro de Carlos Magno) com a sua obra Vida de Carlos Magno, e Rábano Mauro, discípulo de Alcuíno. Este, juntamente com Paulo Diacro (ou Diácono), impulsionaria a gramática e a métrica, dando origem a um tipo de literatura enfática. Naturalmente as querelas dogmáticas recrudesceram, com destaque para as posições de Jean Scott (ou Scott Erígena) acerca da questão dos conceitos, colocando o problema da religião face à fé.
Foi principalmente na arquitetura que se manifestaram os objetivos mais elevados dos protagonistas da organização do império, ilustrando bem as transformações ocorridas no âmbito da religiosidade, nomeadamente em relação à liturgia. Aproveitam-se influências de Bizâncio em Aix e Germigny. Constituiu, de facto, uma síntese das diferentes correntes artísticas do Ocidente que se concatenam durante o reinado de Carlos Magno: influências da antiguidade trazidas via Itália e Bizâncio e influências provenientes da Inglaterra e da Irlanda.

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