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reprodução social

Entende-se por reprodução social o processo mediante o qual uma sociedade, através de diversos mecanismos, reproduz a sua própria estrutura. Bourdieu utiliza o conceito de habitus para explicar os mecanismos através dos quais aprendemos a fazer parte de uma sociedade e a reproduzi-la continuamente através das nossas ações, mas também a modificá-la. Seria a partir do habitus, um conjunto de disposições permanentes, que poderíamos produzir pensamentos, perceções, expressões, ações, e que teria sempre como limite as próprias condições históricas e socialmente determinadas em que ele próprio é produzido. Ou seja, sendo produto de um conjunto de condicionamentos, o habitus tenderia a reproduzir a lógica desses mesmos condicionamentos. Neste processo, a socialização, e em particular a socialização primária, seria determinante, na medida em que esta ocorre numa fase da vida em que as experiências tendem a ser mais marcantes e, portanto, mais duráveis. Como o habitus tende a garantir a sua própria constância, ele gera mecanismos de seleção de novas informações, rejeitando aquelas que possam pôr em causa as informações até aí acumuladas e desfavorecendo também a exposição a essas informações - é assim que, por exemplo, tendemos a relacionar-nos com indivíduos que possuem situações sociais idênticas às nossas, não só porque são mais "parecidos" connosco, facilitando a interação, mas também porque tendemos a procurar relacionarmo-nos com os nossos pares. Ou seja, a própria possibilidade de nos confrontarmos com pessoas cujo habitus é muito diferente do nosso é mais limitada do que a possibilidade de nos vermos perante aqueles que mais se assemelham a nós, traduzindo-se numa limitação da possibilidade de transformação ou reconversão das nossas perceções, valores, normas, ações, etc. Assim, do ponto de vista da sociedade global, estas pequenas ações, que quotidianamente pomos em prática, permitem garantir uma certa continuidade do sistema social existente, isto é, reproduzi-lo tal como ele é. É assim que, por exemplo, Bourdieu e Passeron analisam os fenómenos de sucesso e insucesso escolar, de escolha de cursos e também de mobilidade social, concluindo pela existência de mecanismos que, não impedindo a transformação da estrutura social, a limitam. Todavia, nenhum sistema social é absolutamente imóvel, e, embora todas as sociedades tenham mecanismos que tendem à reprodução das suas próprias condições de existência, existem também modificações que terão tanto maior peso e que operarão tanto mais depressa quanto mais aberta for essa sociedade.

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