runas
Os povos do Norte da Europa consideravam as runas, que significavam tanto os objetos de madeira como o alfabeto mágico que neles era inscrito, como um conhecimento secreto que pertencia à deusa Idun, mãe da criação e guardiã das maçãs, cujos poderes especiais garantiam a imortalidade dos deuses nórdicos.
Segundo a lenda, Idun teria ensinado ao seu marido Bragi o significado do alfabeto mágico tornando-o no primeiro poeta. Por outro lado, o deus Odin adquiriu o conhecimento secreto das runas através do sacrifício de se pendurar na Árvore do Mundo, uma espécie de crucificação pagã.
Na tradição celta, os nomes de todos os seres animados ou inanimados tinham uma correspondência com a sua função, aspeto físico, características de personalidade e no caso dos seres humanos com a sua função social ou espiritual. Por ser um ato tão importante, comparável ao ato de dar a vida, os nomes eram atribuídos pelos magos druidas em rituais muito especiais.
Existem variações no alfabeto rúnico mas pode-se encontrar em algumas palavras correspondências com as atuais línguas celtas, anglo-saxónicas e teutónicas. Por exemplo, a letra Gyfu significa oferta e presente (em inglês gift e no alemão Gabe ou Geschenk), enquanto as letras Wyn e Nyd significam respetivamente glória e necessidade (win e need em inglês e winnen em alemão).
Os símbolos das runas eram na sua maior parte compostos por linhas retas e ângulos agudos, já que provavelmente seriam gravados com um objeto cortante em pedaços de madeira que eram lançados como uma espécie de dados adivinhatórios.
O ato de "lançar as runas" era exclusivo das mulheres e foi associado às feiticeiras e à "magia negra", sendo, por isso, proibido na época medieval pela Igreja. As mulheres ficaram assim privadas do seu alfabeto e de um conhecimento antigo que subsistiu em segredo até aos nossos dias.
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